terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Before the trip...


Prepare-se para a viagem:

Informe-se sobre vacinas obrigatórias.

Pesquise sobre qual a melhor moeda para levar seu dinheiro: dólar ou euro? Dependendo do país eles aceitam a nossa moeda, mas a maioria não aceita e nem sempre você encontra casas de câmbio abertas até tarde da noite. Descubra onde você pode trocar seu dinheiro e tenha sempre um pouquinho a mais para alguma emergência. Porém não troque todo seu dinheiro porque se sobrar, no fim da viagem você terá que novamente trocar por reais e sairá em desvantagem.


Leve uma pequena bolsa, prática, com alças para deixar suas mãos livres. Ela não pode ser muito grande que dificulte seus movimentos e não caiba no compartimento para bagagem de mão e nem tão pequena que não caiba nada do que você precisa carregar.


Cuide ao deixar dinheiro, jóias e documentos no quarto do hotel. Alguns hotéis disponibilizam cofres para os clientes, mas eu ainda confio mais em esconder a grana e carregar com você. Não deixe tudo junto num mesmo local, porque se você perder ou for roubado, perde tudo e não resta nem dinheiro pro táxi.


Pegue mapas da cidade e aprenda a se localizar. Economize caminhando, andando de metrô ou ônibus quando for seguro e deixe a grana pro táxi para ir e voltar do aeroporto ao hotel.


Leve um secador de cabelos, caso o hotel onde você fique não tenha secador, você não ficará com seu cabelo molhado. Eu já usei até para secar meu tênis em Buenos Aires...


Cuidado com a sua câmera. Segure ela firme, não se aventure na água e não deixe na mão de qualquer pessoa para fotografar você. Se a sua câmera for estragada ou destruída, você compra outra, mas as fotos que estão nela podem se perder para sempre. Leve uma bateria reserva. Assim você sempre terá uma disponível e não vai perder nenhuma oportunidade de fotografar.


Calcule o tempo de viagem, o clima e a estação do ano para saber sobre a quantidade de roupas que você deve levar. Aposte em peças confortáveis e que fiquem bonitas nas fotos. Cuide para não sair todos os dias com o mesmo casaco ou a mesma bota, você vai olhar as suas fotos e estará igual em todas elas. hauahuahau

Cuidado com as embalagens de líquidos. Além de poder ser apreendidos em uma revista, caso não estejam dentro das normas, elas podem virar, quebrar, furar e manchar suas roupas favoritas e destruir outros ítens de sua bagagem.


Mesmo que você viajar para a Índia no verão, leve um agasalho porque você pode passar frio no avião.


Tenha telefones, endereços e e-mails de pessoas que podem contatar com você em caso de emergência.



A lista vai seguir, em breve continuo...

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mulheres e Maçãs...

Mulheres e Maçãs...


"As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."


(não sei o autor)






Saudade...


"Por que sinto falta de você? Por que está saudade?
Eu não te vejo mas imagino suas expressões, sua voz teu cheiro.
Sua amizade me faz sonhar com um carinho,
Um caminhar, a luz da lua, a beira mar.
Saudade este sentimento de vazio que me tira o sono
me fazendo sentir num triste abandono, é amizade eu sei, será amor talvez...
Só não quero perder sua amizade, esta amizade...
Que me fortalece me enobrece por ter você."



(não sei o autor)
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Problemas...


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"Se você puder atuar como se não tivesse problemas, descobrirá que não tem problemas! Todos os problemas são fictícios; você acredita neles, e é por isso que eles existem."


OSHO
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A Índia em blogs

Dedicarei este espaço para Blogs sobre a Índia que não estão mais sendo atualizados, mas que ainda estão disponíveis de forma on-line.



"Se há algo em Deli de que me vou lembrar para o resto da vida, são os sons da cidade, os barulhos, as músicas, os gritos, os automóveis e as crianças." 

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sábado, 18 de outubro de 2008

Noivas do mundo...

Na África e na Ásia

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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desejos para a primavera da alma...

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Que minhas palavras sejam como pétalas de flor para colorir estradas e caminhos...

Que minhas palavras tenham a textura do momento que já passou e ficou na parte alegre de sua memória...

Que minhas palavras sejam suavemente rubras como o pôr-do-sol...



Que minhas palavras brilhem como estrelas e iluminem seus caminhos...

Que minhas palavras sejam claras como a luz do sol...

Que sejam macias como um sussurro ao pé do ouvido...



Que minhas palavras sejam ouvidas como uma bela canção...

Que elas tenham a intensidade necessária à cada situação...

Que minhas palavras sejam justas e verdadeiras...



Que minhas palavras tragam proteção e conforto...

Que minhas palavras sejam agradáveis como uma rede amarrada à sombra de uma árvore...

Que sejam límpidas como a mais terna lembrança...



Que minhas palavras sejam perenes ou momentâneas...

Que minhas palavras sejam firmes quando for necessário...

Que minhas palavras sejam como nuvens em um céu azul...

Que minhas palavras alçem voôs como balões, pipas ou bumerangues...

Que voltem de onde vieram carregadas com sua resposta...

Que ecoem pelos quatro cantos do mundo...

Que naveguem pelos sete mares...

Que se renovem como a flor...

Que frutifique...

Que originem sementes...

E que possam renascer todos os dias...

Este é o meu desejo...

Desejo que vem da alma e que volta para que amadureça em mim...



Potira

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Foucault citando Borges...

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“ Este livro nasceu de um texto do Borges. Do riso que, com sua leitura, perturba todas as familiaridades do pensamento – do nosso: daquele que tem nossa idade e nossa geografia – abalando todas as superfícies ordenadas e todos os planos que tornam sensata para nós a profusão dos seres, fazendo vacilar e inquietando, por muito tempo, nossa prática milenar do Mesmo e do Outro. Este texto cita uma certa enciclopédia chinesa onde está escrito que “ os animais se dividem em: a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães em liberdade, h) incluídos na presente classificação, i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) desenhados com um pincel muito fino de pêlo de camelo, l) et cetera, m) que acabam de quebrar a bilha, n) que de longe parecem moscas.


FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 1992.


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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sobre a difusão da cultura



Do antropólogo Ralph Linton em O homem: Uma introdução à antropologia.


“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestuário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivente dos xales usados aos ombros pelos croatas do século XVII. Antes de ir tomar seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estivesse chovendo, calça galochas de borracha descobertas pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de uma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa.
Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”


LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, p. 110-112.
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Cornita



- Pai, o que é cornita?
- Como é que se escreve?
- Ce, o, erre, ene, i, te, a.
O pai pensou um pouco. Não podia dizer que não sabia. O garoto há muito descobrira que o pai não era o homem mais forte do mundo. Precisava mostrar que, pelo menos, não era dos mais burros. Perguntou como é que a palavra estava usada.
- Aqui diz, “a cornita da igreja...” – respondeu o garoto.
- Ah, esse tipo de cornita. É um ornamento, na forma de corno, que fica do lado do altar.
- Pra que serve?
- Pra, ahn, nada. É um símbolo.
- Ah.

*

- Pai, usei “cornita” numa redação e a professora disse que a palavra não existe.
- O quê? Mas que professora é essa?
- Ela diz que nunca ouviu falar.
- Pois diga a ela que “cornita”, embora não faça mais parte da arquitetura canônica, era muito usada nas igrejas medievais.
- Tá.

*

- Pai, a professora continua dizendo que “cornita” não existe. E diz que também não se diz “arquitetura canônica”.
- Preciso ter uma conversa com essa professora. Essa educação de hoje...


*

- Não quero discutir com a senhora. Mas também não quero ver meu filho duvidando do próprio pai. Para começar, minha senhora, aqui está o livro que meu filho estava lendo. E aqui está a palavra “Cornita”.
- Deixe eu ver. Obviamente, era para ser “cornija”. É um erro de imprensa.
- O quê?
- Um erro de revisão. “Cornija”. Ornamentação muito usada na arquitetura antiga. “Cornita” não existe.
- Pai, vamos pra casa...
- Um momentinho. Um momentinho! Claro que eu sei o que é “cornija”. Mas existem duas palavras. “Cornija” e “cornita”. Duas coisas completamente diferentes.
- Então me mostre “cornita” no dicionário.
- Ora, no dicionário. E a senhora ainda confia nos nossos dicionários?
- Pai, vamos embora...


*

- O que é isto, pai?
- Um pequeno tratado que fiz para a sua professora, aquela mula, ler. Dezessete páginas. Pouca coisa. Nele, traço desde a origem etmológica da palavra “cornita”, no sânscrito, até a sua simbologia no ritual da Igreja antes do concílio de Trento, incluindo o número de vezes em que o termo aparece na obra de Vouchard de Mesquieu sobre arquitetura canônica. E sublinhei “arquitetura canônica”, para a mula aprender a jamais desmentir um pai.
- Certo, pai.


*


- Pai...
- O que é?
- A professora leu o seu tratado.
- E então?
- Mandou pedir desculpas. Diz que o senhor é um homem muito etudito.
- Erudito.
- Erudito. Mandou pedir desculpas. A burra era ela.
- Está bem, meu filho. Pelo menos agora ela sabe com quem está tratando.
Valera a pena. Valera até as noites perdidas inventando os dados do tratado. Sabia que acabaria convencendo a mulher com um ataque maciço de erudição, mesmo falsa. Vouchard de Mesquieu. Aquele fora o golpe de mestre. Vouchard de Mesquieu. Perdera uma hora só para encontrar o nome certo. Mas estava redimido.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. Outras do Analista de Bagé. Porto Alegre: L&PM, 1982, p. 18-20.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Dica de filme: Nascidos em Bordéis

Por Joana Potira




Gopala, Gopala
Deva ki ananda na gopala


Com trilha sonora Bollywood e de Krisnha Das Nascidos em Bordéis é um convite à poesia em ação. Imagens em movimento, histórias de vida e fotografias capazes de falar são parte deste belo documentário de 2004, onde o que menos importa é que foi ganhador de Oscar!


No distrito da luz vermelha de Calcutá, um grupo de crianças filhas de prostitutas tem aulas de fotografia com a fotógrafa Zana Briski. O choque cultural, o estranhamento diante da diferença mostram o quanto nossas visões também são distorcidas por preconceitos, gerando situações extremamente delicadas e até posturas autoritárias.


Uma película sobre momentos e sobre visões, modos de enchergar o mundo circundante através de câmeras fotográficas ou olhares de crianças. A poesia das cores e da vida nas ruas desta grande cidade na Índia oriental, onde o cotidiano e as culturas destes grupos sociais contrastam com uma realidade brutal frente á nossa visão ocidental. Até que ponto pode-se intervir na vida de uma pessoa?


Afinal, o que é fotografar? A fotografia é uma forma de arte? O que um fotógrafo vê?



Nascidos em Bordéis, um documentário que poderia se encaixar em categorias como fantástico, surpreendente, incrível, poético...

Fugindo dos clichês de triste história e dura realidade, que fazem parte de uma construção de estereótipos sobre as culturas da Índia...

Assita e conheça Suchitra, Manik, Gour, Avijit, Shanti Das, Puja Mukerjee, Kochi, Tapasi...




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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Anoushka Shankar in Concert for George (2002)





Filha do grande sitarista Ravi Shankar, irmã de Norah Jones, Anoushka além de sitarista, também é compositora.

Na categoria world music, Anoushka lançou belíssimos álbuns: "Anoushka"(1998), "Anourag" (2000), "Live at Carnegie Hall" (2001), "Rise" (2005) e “Breathing Under Water” (2007).

Participou do Concert for George, uma homenagem a George Harrison, em 2002, um ano após a morte do famoso guitarrista, cantor e compositor dos The Beatles.

Para conhecer mais...

www.anoushkashankar.com
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Conto retroativo





Beijaram-se finalmente, depois que ela entrou correndo no saguão do aeroporto gritando: “Mário! Mário!” E ele, que já se preparava para embarcar, desconsolado, depois de ter tomado três cafezinhos para fazer tempo, dar tempo a ela de se decidir se embarcaria com ele ou não, na esperança de que ela chegaria no último minuto, ele virou-se e também gritou: “Sandra!” Ele que tinha vindo para o aeroporto meio sonso no táxi, triste porque passara no apartamento para uma última olhada e ficara andando do quarto para a sala e da sala para o quarto, voltando no tempo, lembrando tudo, os momentos na cama, o cheiro dela, a risada, a marca do jeans apertado nas suas coxas lembrando que na última vez ela dissera que não ia mais com ele, que estava com passaporte, passagem mas não ia, era uma loucura, não queria se amarrar, ele era um obsessivo, um doido, e ela era muito moça e...
- E eu sou velho? – dissera ele, fingindo o ultraje.
- Não é isso, é que você, sei lá, você é um regressivo.
- Como, um regressivo?
- Está sempre recapitulando, sempre voltando, sempre querendo descobrir a origem, passando tudo a limpo, examinando atrás da causa, sei lá. E eu sou uma causa perdida.
- Você está exagerado.
- Onde foi que eu conheci você?
- Na minha retrospectiva.
- Pois então. Eu nunca tinha ouvido falar de você e quando conheci você já estava fazendo retrospectiva!
Antes da última noite no apartamento tinham jantado juntos e só para serem diferentes tinham começado pela sobremesa e acabado no aperitivo, ele achava que eles deviam se encontrar dizendo “adeus” e na despedida dizer “alô”, para enganar o coração. E pedira para ela lhe contar toda sua vida, de frente para trás até a sua primeira lembrança. E ela protestara...
- Você já tem o meu corpo e a minha alma e ainda quer minha biografia? Que intimidades são essas?
- Quero amar tudo sobre você. Quero amar o seu retrospecto. O seu currículo. Sua vida pregressa. Sua história clínica. Seus antecedentes criminais. Sua ficha no SPC. Seus boletins da escola. Quero amar você desde as primeiras fraldas!
Antes do último jantar e da última noite tinha havido muitos outros encontros, dois meses de amor que ele insistia em reviver a cada instante, dois meses, e uma vez na cama ela pedira:
- Me explique seus quadros.
- Não é você estudante de arte? Você me explique os meus quadros.
- Não. Fora de brincadeira.
- São todos sobre a explosão cósmica que criou o universo. De uma maneira ou de outra. Sobre a origem de tudo. O primeiro fato. O primeiro som. A causa, entende? Depois tudo foi efeito, eu quero voltar. Ir contra o tempo. Sempre voltar. Meu primeiro quadro foi o mais acabado. No segundo eu já quis ver o que estava atrás do primeiro. O segundo foi o esboço do primeiro. Meu penúltimo quadro será do núcleo da explosão. A causa da causa. Meu último quadro será em branco. A não ser...
Antes disso tinham falado, pela primeira vez, em ela ir embora com ele para a Europa. Naquela mesma noite ele disse que, se ela fosse com ele, depois do seu quadro em branco só pintaria o retrato dela. Primeiro ela de corpo inteiro emergindo do nada, uma Vênus de Boticelli de tanga. Depois detalhes. O rosto. Um seio. O umbigo. Depois detalhes do umbigo. O umbigo do umbigo.
- Depois você vai me esquartejar e procurar a minha explicação.
- Não, você é que vai me enterrar.
- Mas nossa diferença de idade não é tão grande assim.
- O que você não sabe é que eu estou remoçando enquanto você envelhece. Estamos nos cruzando. Eu começei com 100 anos e estou a meio caminho da adolescência. Você ainda vai me segurar no colo. Você vai me dar de mamar. Venha comigo. Amo você desde o momento que a vi. Aliás, eu acho que foi antes. Um segundo antes de você entrar na galeria, eu olhei para a porta e disse: É agora. Quando você entrou eu já estava amando você por um segundo.
Ela entrara na galeria por curiosidade, estudava arte mas nunca tinha ouvido falar daquele pintor que fazia uma retrospectiva e portanto devia ser importante. Percorrera os quadros, todos abstratos e numerados de acordo com a data da sua conclusão, de trás para diante – 23, 22, 21 – e só quando chegou perto dos primeiros se deu conta – 11, 10, 9 – que o homem na frente do quadro número um a olhava fixamente – 3, 2, 1 – e quando chegou na frente do primeiro quadro, um quadro tranqüilo em contraste com a crescente turbulência dos outros, ele falou:
- Antes que alguém me denuncie, eu mesmo confesso: sou pintor. Meu nome é Mário.
- O meu é Sandra.
- Alô.
- Alô.
E embarcaram juntos.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. Outras do Analista de Bagé. Porto Alegre: L&PM, 1982, p. 119-121.
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pelos jardins e esquinas de um Porto Alegre...





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segunda-feira, 21 de julho de 2008

... o líquido som de teus pés pelo dia...



"Tenho fome de tua boca, de tua voz, teus cabelos


- e pelas ruas vou sem me nutrir, calado, -


não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta, procuro o líquido som de teus pés pelo dia."
Pablo Neruda
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Histórias em Pequod...










Pequod, Vitor Ramil





"Podeis ter visto na vida muitos navios singulares, suponho eu: lugres antiquados; vastos juncos japoneses; galeotas semelhantes a caixas de manteiga, e não sei mais o quê; mas, acreditai-me, nunca vistes uma embarcação tão rara e vetusta como este raro e vetusto PEQUOD."

MOBY DICK, Herman Melville.





“O horror. Procurei a pêra da luz no escuro, passando as mãos pela parede. O quarto se iluminou. Sobre a cama onde minha avó dormia, no retrato resgatado do fundo do guarda-roupa, Ahab menino parecia estar perdido. De joelhos sobre a cama revolta, as cobertas no chão, pus a mão no coração, que sabia o que eu sabia, e saí do quarto. As madrugadas são sempre maiores do que os sonhos. Nos quartos da frente minha mãe e minhas irmãs dormiram. Atravessei a sala. Goteiras caíam esparsas nos recipientes cheios, em panos, pelo chão. Já não escorria água pelas paredes. Relâmpagos não me descolavam da penumbra. Trovões não me anunciavam. Na saleta, a poltrona de Ahab vazia sob o relógio parado. Aproximei-me dela e subi em seus braços. Abri a caixa do relógio, acertei os ponteiros intuitivamente, dei corda com a chave escura, pus o pêndulo em movimento. Depois sentei-me e fechei os olhos. Ali sonhei que decidia voar e que voava e era capaz de controlar meu próprio vôo. Seria sonho dentro de sonho mais uma vez? A manhã do terceiro dia, desde que Ahab se fora para sempre, raiava gelada e serena quando voltei a acordar. No forro manchado uma goteira tardia formava-se sobre mim. Aquela gota fria desceria no vazio até meu colo. Batendo em mim, não me alcançaria. No fundo da poltrona, sob o relógio, eu estava no fundo do tempo. Tratava-se do meu tempo.” (Pequod, p. 111 e 112)
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Vambora




Composição: Adriana Calcanhotto


Entre por essa porta agora

E diga que me adora

Você tem meia hora

Prá mudar a minha vida

Vem, vambora

Que o que você demora

É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume

Pela casa

Ainda tem você na sala

Porque meu coração dispara?

Quando tem o seu cheiro

Dentro de um livro

Dentro da noite veloz...

Ainda tem o seu perfume

Pela casa

Ainda tem você na sala

Porque meu coração dispara?

Quando tem o seu cheiro

Dentro de um livro

Na cinza das horas...



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Diamante




Os The Darma Lóvers



Composição: Nenung & Yam Zamg




Hoje em dia eu sei que um simples dia

É tão belo quanto um diamante

Som nas ruas, ouvidos despertos,

Vento & música

E árvores dançantes

Faz um tempo eu aguardava tudo

Para um dia especial distante

Fui ficando mais calado & mudo

Até sacar que o futuro é uma meta

Flutuante ...

Dê sua mão ... venha até mim com o seu corpo e o seu coração

Que é brilhante claro e belo (hoje vejo claro)

É claro que te quero ...


Hoje lembro e sinto saudade de nada

Vi o que vi fiz o que fiz

Paguei o preço de ter tido a lição

O tempo é um professor sem pressa mas é exigente

E chega a hora de tornar o agir

Ficar mais claro forte, mais inteligente...
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terça-feira, 8 de julho de 2008

Lagaan

Porque hoje é meu aniversário...

 

Um filme tão fabuloso, mas tão fabuloso que eu não poderia escrever uma resenha sobre ele porque me faltariam palavras.

Agradeço muito a Tássia que me apresentou este filme no ano passado. Assista você também!!!

 Sim!!! Vai dar um buraco no DVD deste filme bem nesta música...  Que eu assisto sem parar e a minha irmã odeia.

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

A onde breve que sou...








Onda - Os The Dharma Lóvers





Pela manhã

O mundo acorda esperto

O sol de olhos abertos
Pela manhã


Pela manhã

Nesse mundo que muda

Surfamos como um buda
Pela manhã


Então mergulho onde estou

A onda breve que sou

Pro oceano me vou
Pela manhã


Vou me ligar

Em ser feliz e atento com o que levo dentro

Vou me ligar


Não vou parar enquanto a liberdade

Não for toda verdade

Não vou parar


Então mergulho onde estou

A onda breve que sou

Pro oceano me vou
Pela manhã


Então mergulho onde estou

A onda breve que sou

Pro oceano me vou
Pela manhã


Vou me ligar em ser feliz e atento

Com o que levo dentro

Vou me ligar


Não vou parar enquanto a liberdade

Não for toda verdade

Não vou parar


Então mergulho onde estou

A onda breve que sou

Pro oceano me vou
Pela manhã

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