sexta-feira, 15 de junho de 2007

Bollywood e o Cônsul da Índia na UNISC


Jornal da Universidade de Santa Cruz do Sul - Ano XII - Nº 61 - MAIO de 2006











Filmes: Índia supera Hollywood
Por CAROLINE RODRIGUES


Depois de São Paulo e Porto Alegre, Santa Cruz do Sul foi a terceira cidade brasileira que teve a oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura indiana. A cidade recebeu, de 19 a 25 abril, a Mostra de Cinema Indiano Bollywood Super Hits, numa promoção do Consulado da Índia no Brasil, com realização da Associação dos Amigos do Cinema e o apoio da Unisc, para onde vieram três dos onze títulos da mostra: Mr. and Mrs.Iyer, Lagaan e Devdas. Dentro da programação da Mostra, no dia 19 de abril, ocorreu no auditório central da Unisc a palestra com o cônsul geral da Índia no Brasil, Yogeshwar Varma, com o tema A Cultura Indiana Contemporânea.


O cônsul abordou aspectos econômicos afirmando que as previsões indicam que a Índia, atualmente a quarta maior economia mundial, supere o Japão a partir de 2020 e se torne a terceira maior economia do planeta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Ele também discutiu aspectos da indústria cinematográfica indiana, uma das maiores do mundo: produz cerca de 800 filmes por ano, enquanto Hollywood faz apenas 500.

Jornal da Unisc – Históricamente, de onde vem a raiz dessa cultura de filmes na Índia?

Yogeshwar Varma – Essa cultura e tradição da Índia é muito longa, é muito antiga. Então, quando a indústria de cinema começou a se desenvolver, há 80 anos, não havia muitos recursos de tecnologia, recursos para se desenvolver de maneira rápida. O que passou foi que muitas pessoas que entraram, pessoas com habilidade, criativas e inteligentes, começaram a refletir a realidade da sociedade. E nós temos também um mercado muito grande dentro de nosso país, que apoiou esse desenvolvimento muito forte da indústria de cinema. Nós temos mais de 12 mil teatros de cinema, e ele é um meio de entretenimento para a classe pobre e a classe média. Então há uma renda que faz essa indústria muito mais viável. Não temos que depender de qualquer mercado externo, porque o mercado fica lá, e os indianos, como outras sociedades, gostam muito de assistir a uma boa história, uma história com mensagem, que fale sobre valores humanos, sobre cultura, sobre coisas que são muito comuns na sociedade. Assim começamos a nos desenvolver, e nesse momento temos chegado a um nível em que fazemos mais de 800 filmes por ano, o que nos torna os maiores produtores de cinema no mundo. Depois vem Hollywood, que faz quase 500 filmes ao ano. Nós temos hoje uma influência muito grande de filmes, porque os filmes que fazemos na Índia não chegam dentro de teatros apenas da Índia, mas chegam também em nível de continente, na Ásia, no Egito e até no Japão e na Mongólia.

“Nós temos mais de 12 mil teatros de cinema, e ele é um meio de entretenimento para a classe pobre e a classe média”
JU – Qual foi o objetivo de ter trazido a mostra para o Brasil?

Varma – O objetivo principal foi trazer uma mostra de filmes indianos, para deixar uma impressão que a Índia é uma sociedade aberta, totalmente transparente, uma sociedade que tem uma democracia muito grande. Nós somos o país com maior democracia do mundo, e um país que ainda está em desenvolvimento, um país que está crescendo com todos os obstáculos e barreiras históricas que temos e cuja sociedade também não é tão modernizada. E essa experiência que nós temos na Índia pode ser muito relevante para países amigos como Brasil e outros países.

JU – E tem algum outro país onde estão sendo divulgados esses filmes?

Varma – Sim, esses filmes já foram levados a outros países da América Latina como México, Peru e Colômbia, e vão também para Chile e Argentina.

JU – Os filmes são feitos pelos indianos, não tem ninguém de fora?

Varma – Totalmente. Tecnologia, equipamentos, câmeras, processamento, laboratórios. Temos indústria totalmente auto-suficiente, que está melhorando a cada ano, e agora estamos chegando em um nível em que queremos levar o mesmo padrão de indústria de filme a outros mercados, como América Latina, Europa ou Estados Unidos.

JU - Sendo maiores produtores do que Hollywood, como os indianos vêem os filmes Hollywoodianos?

Varma – Hollywood faz filmes no campo da violência e nós seguimos coisas como amor, felicidade e tantas coisas para aprender, para levar, para divulgar. Então, temos uma diferença muito grande, muito básica, muito fundamental entre filmes que Hollywood faz e filmes que nós indianos estamos fazendo. Outra coisa é que há muito individualismo nos filmes de Hollywood, enquanto entre os indianos há muito mais importância em fazer sacrifícios para a sua família, para os amigos e para a sociedade, porque o indivíduo não pode viver só para ele. E isso que nós fazemos, se compararmos, é muito mais importante do que Hollywood.

“Temos uma influência muito grande de filmes, hoje, que chegam também a outros continentes”

JU – O que você acha dos filmes brasileiros?
Varma – Acho que o Brasil tem diretores e pessoas muito criativas, fantásticas, muito bem formadas, com habilidades e, por razões de falta de mercado interno, que existe para filmes brasileiros, acho que o Brasil precisa fazer algumas coisas em breve que faça surgir ou aparecer um mercado interno. Porque isso é uma auto-suficiência, a indústria de filmes brasileiros não pode sobreviver, não pode depender do mercado global, porque o mercado global é muito difícil começar. Então primeiro é melhor fazer um mercado interno.

JU – Existe a possibilidade de fazer parceria em produções com o Brasil?

Varma – Com certeza. Mês passado vimos um filme muito bom da Índia, que já foi filmado no Rio de Janeiro, por um mês, com atrizes muito populares, e atores da Índia, e há outro projeto em que nós sabemos que o governo brasileiro estaria muito interessado em fazer uma colaboração com uma empresa indiana. Será muito bom se entidades promoverem uma colaboração entre empresas indianas e brasileiras, para produzir um filme colaborado entre diretores indianos ou brasileiros, em conjunto, atores e atrizes. E o Brasil tem tantos bons lugares para cenário, que isso seria maravilhoso.


Fonte: http://www.unisc.br/jornaldaunisc/61/entrevista.htm
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