sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Lá na Cabana..


Já cantava Elis Regina "Eu quero uma casa no campo/ Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé/ Onde eu possa plantar meus amigos/ Meus discos e livros/ E nada mais..."



Onde você planta os seus amigos, seus discos, seus livros e seu nada mais?

Minha família planta-os numa pequena fazenda em Cerro dos Bois. Um lugarzinho tranqüilo, com um grande lago, árvores, vaquinhas, lugar pra pendurar a rede e ler um livro... Mosquitos, bosta de vaca e uma linda visão do céu estrelado... Distante 7 km da nossa casa "da cidade"...

Lá, em meio ao barulho dos pássaros meus pais construíram a "Cabana"... Parte importante do imaginário da família e amigos, era lá que os acampamentos rolavam. Quem não se lembra dos porres homéricos dos tios e primos em dias de pescaria? E as guerrinhas de bosta de vaca entre eu e o primo Rodrigo, que me deixaram com o cabelo loirinho cheio de mechas verdes? (Acreditem, tudo começou como uma brincadeira de botar "velinhas" nas bostas de vacas e dizer que era o bolo do aniversário um do outro... E no fim eu fiquei com mechas naturais na cor verde-grama).

Lembro dos passeio de cavalo, a Miúcha mãe e filha, banho de açude e pé encardido de lama e grama... Gemada pra comer com pão e caminhadas até a casa da Vó Bina... Aventuras e casa na árvore, descobertas de ninhos de gambá e picada de abelha... Almoços em família e o meu pé de pitanga... 

Tantas histórias numa cabana. Prédio de costaneira com telhado de capim Santa-Fé, substituído por telhas depois de ser atingido por um raio... Os anos passaram, muita coisa mudou... Entramos no novo milênio, gente nasceu e morreu e a cabana permanecia no topo de uma colina, que nós gaúchos chamamos "coxilha".
Muitos anos depois, aquela cabana deu lugar a uma construção estranha, de formas arredondadas e que foi irônicamente chamada de Castelo pelas crianças da vizinhança...

O Urso, o Bethoven e o Rex (antes deles o Noel, o Algodão, e o Fritz) mal escutam o barulho do carro já correm e chegam esbaforidos... Todos os cães disputam a atenção com os gatos que vivem lá Xodó e Lelo...
Agora temos que repensar uma nova identidade para a Cabana que não é mais cabana... A construção de pedra com rubras janelas aguarda outras histórias...

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2 comentários:

Eder Santos Carvalho disse...

Nostalgia, sempre é bom.Tbm morei no interior até os 13 anos, até hoje tenho saudade da vida simples do campo.

Potira disse...

Quando eu era criança passava todos os fins de semana lá... Queria morar na cabana. É bem pertinho do centro da cidade e tals, mas os meus pais nunca gostaram da ídeia...

Quem sabe um dia eu me mudo pra lá?

=)

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