sábado, 28 de novembro de 2009

Flor


Pelas ruas de Bento Gonçalves - RS.
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From Kolkata...

A documentary from Kolkata... But sadly happen in anywhere...

 

  

Para ler a minha resenha em português sobre este documentário clique aqui. 

=)

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Lá na Cabana..


Já cantava Elis Regina "Eu quero uma casa no campo/ Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé/ Onde eu possa plantar meus amigos/ Meus discos e livros/ E nada mais..."



Onde você planta os seus amigos, seus discos, seus livros e seu nada mais?

Minha família planta-os numa pequena fazenda em Cerro dos Bois. Um lugarzinho tranqüilo, com um grande lago, árvores, vaquinhas, lugar pra pendurar a rede e ler um livro... Mosquitos, bosta de vaca e uma linda visão do céu estrelado... Distante 7 km da nossa casa "da cidade"...

Lá, em meio ao barulho dos pássaros meus pais construíram a "Cabana"... Parte importante do imaginário da família e amigos, era lá que os acampamentos rolavam. Quem não se lembra dos porres homéricos dos tios e primos em dias de pescaria? E as guerrinhas de bosta de vaca entre eu e o primo Rodrigo, que me deixaram com o cabelo loirinho cheio de mechas verdes? (Acreditem, tudo começou como uma brincadeira de botar "velinhas" nas bostas de vacas e dizer que era o bolo do aniversário um do outro... E no fim eu fiquei com mechas naturais na cor verde-grama).

Lembro dos passeio de cavalo, a Miúcha mãe e filha, banho de açude e pé encardido de lama e grama... Gemada pra comer com pão e caminhadas até a casa da Vó Bina... Aventuras e casa na árvore, descobertas de ninhos de gambá e picada de abelha... Almoços em família e o meu pé de pitanga... 

Tantas histórias numa cabana. Prédio de costaneira com telhado de capim Santa-Fé, substituído por telhas depois de ser atingido por um raio... Os anos passaram, muita coisa mudou... Entramos no novo milênio, gente nasceu e morreu e a cabana permanecia no topo de uma colina, que nós gaúchos chamamos "coxilha".
Muitos anos depois, aquela cabana deu lugar a uma construção estranha, de formas arredondadas e que foi irônicamente chamada de Castelo pelas crianças da vizinhança...

O Urso, o Bethoven e o Rex (antes deles o Noel, o Algodão, e o Fritz) mal escutam o barulho do carro já correm e chegam esbaforidos... Todos os cães disputam a atenção com os gatos que vivem lá Xodó e Lelo...
Agora temos que repensar uma nova identidade para a Cabana que não é mais cabana... A construção de pedra com rubras janelas aguarda outras histórias...

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

The Story of India - Michael Wood

Depois de quase um ano prometendo, finalmente aqui está a postagem sobre The Story of India.

Por Potira


Produzido por MayaVision International para BBC e PBS, especialmente escrito e apresentado pelo historiador britânico Michael Wood esta série de televisão de 2007 está disponível  em dvd no Brasil através da revista Vida Simples da Editora Abril desde o ano passado.

Eu acredito que é um bom investimento para quem gostaria de saber um pouco mais sobre a história da Índia de uma maneira mais dinâmica do que pilhas de "boring books"... Utilizando linguagem simples e recursos visuais, Michael consegue abranger um público amplo. Qualquer pessoa que goste de história pode assistir, não precisa ser Historiador. Claro que se você já tiver algumas leituras sobre o tema, será muito mais valioso.

Esta coleção foi um dos melhores presentes que eu já ganhei. São dois volumes, cada um com 3 documentários, cerca de 6 horas. Eles se deram muito bem na vizinhança da estante de livros do meu quarto... Junto com os outros livros sobre a Índia e algumas das minhas revistas, eles agora ficam com o porta-lápis do Romero Brito, a cuia de Montevideo e a mais nova moradora, a máscara de Carnaval de Veneza...


O historiador viaja por boa parte do território indiano e por outras partes da Ásia para registrar as mais interessantes imagens e histórias sobre a civilização indiana. Consulta bibliotecas especializadas, manuscritos, entrevista pesquisadores e especialistas, caminha pelas ruas. Experimenta alimentos, bebidas, meios de locomoção, vestimentas... Investiga a engenharia e arquitetura em habitações de camponeses, palácios, templos, fortalezas, monumentos... A Arte e a Cultura indiana são destacadas ao longo de toda a obra.

Para quem gosta de Arqueologia, é uma boa pedida para saber mais sobre as civilizações de  Mohenjodaro e Harappa, por exemplo. Para quem tem curiosidade sobre religiões na Índia, Wood fala sobre Hinduísmo e Budismo, sobre os Siks e Muçulmanos, Jains e Parses, indo até alguns espaços sagrados e consultando livros santos. Dos ghats de Varanasi aos ricos templos do sul da India, passando pelo Golden Temple, por Bodhgaya ou Madurai.

A minha parte favorita é sobre a Silk Route e o intercâmbio cultural de longa duração entre oriente e ocidente promovido pelo comércio, onde a Índia estava em posição estratégica. Ligações com o Império Romano, com a arábia e outras partes do subcontinente indiano são o ponto alto da série. Possui cenas gravadas não só na Índia, mas também na China, Afeganistão, Paquistão, entre outros.

A literatura clásica, as artes plásticas e a música e dança são analisadas dentro do contexto cultural em que foram criadas... É assim ao tratar do famoso Ramayana, ou até mesmo do Kama Sutra, tão falado no ocidente, mesmo com seu sentido muitas vezes deturpado.

Finalizando a coleção, uma viagem pela cultura muçulmana na Índia e o esplendor arquitetônico de construções como o Taj Mahal. Destacando os sufis e a influência de crenças muçulmanas na cultura indiana tradicional. O último vídeo, trata sobre a colonização britânica até a independência.

Mas este não é o fim da história, é apenas mais um capítulo...


O que? Coleção de dvds História da Índia do historiador Michael Wood para BBC.
Quanto: cerca de R$ 60,00
Onde comprar: No site da Abril - História da Índia - Vida Simples
Obs: As legendas são em português e o áudio em inglês.

Permita- se...
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

East, West...


"Tornei-me cidadão britânico naquele ano. Fui um dos afortunados, suponho, porque, apesar daquele jogo de xadrez, Dodo ficou do meu lado. E o passaporte de fato, de várias maneiras, libertou-me. Permitia-me ir e vir, fazer escolhas que não as que papai desejaria. Mas também eu tenho cordas em torno do meu pescoço, tenho-as até hoje, puxando para esta e aquela direção, Oriente e Ocidente, os laços apertando, ordenando: escolha, escolha." (RUSHDIE, 1995, p. 224)


ORIENTE
Bom conselho é mais raro que rubis.
A rádio livre.
O cabelo do Profeta.

OCIDENTE
Yorick.
No leilão dos chinelos de rubi.
Cristóvão Colombo e rainha Isabel de Espanha consumam seu relacionamento (Santa Fé,. a.d. 1924)

ORIENTE, OCIDENTE
A harmonia das esferas
Tchekhov e Zulu.
O corteiro.


Lançado no Brasil com o título "Oriente, Ocidente" é uma coletânea de contos indianos escritos por Salman Rushdie. Alguns já haviam sido publicados em outras ocasiões e foram reunidos em 1994 para formar este pequeno livro dividido em  três partes: Oriente, Ocidente e Oriente-Ocidente.

Contos sobre casamento arranjado, imigrantes indianos vivendo fora da sua pátria, uma jovem mulher buscando liberdade em Bom conselho é mais raro que rubis... Os sonhos de um pobre dono de jinriquixá que casou com a viúva de um ladrão em A rádio livre. O agiota, o ladrão dos ladrões e a sina de uma família no gélido inverno de Serinagor em O cabelo do Profeta.

No leilão dos chinelos de rubi discussões e seres imaginários em torno de um leilão "Qual o preço da tolerância se o intolerante também não é tolerado?" (RUSHDIE, 1995, p. 102). Questionamentos sobre as duas alteridades, o duplo não-pertencer de Eliot em A harmonia das esferas.

Não deixe de ler a doce Mary-Certamente em O corteiro:

"- Não - disse ele em voz alta, franzindo a testa. Quais seriam os caminhos corretos? Ah, bom, o nome era aquele. - Ghats - disse com orgulho. Palavra que constava num atlas escolar havia muito tempo, quando a Índia parecia tão distante quanto o Paraíso. (Hoje em dia o Paraíso estava ainda mais distante, mas a Índia, e o Inferno, estavam um pouco mais perto.) - Gaths ocidentais, ghats orientais, e agora ghats de Kesington - disse, dando uma risadinha. - Montanhas.
Ela parou na frente dele no saguão apainelado de carvalho.
- Mas ghats na Índia também são escadas - disse ela. - Sim sim certamente. For exemplo na cidade sagrada hindu de Varanasi, onde os brâmanes se sentam recolhendo o dinheiro dos feregrinos, é chamada Dasashwamedh-ghat. Larga-larga escada que desce até o rio Ganga. Oh, muito certamente! Também Manikarnika-ghat. Confram lume de uma casa com um tigre que salta do teto... sim certamente, uma estátua de tigre, colorida for tecnicolor, o que o senhor está fensando? ... e eles o levam numa caixa fara lançar fogo aos corcos de seus entes queridos. Fogueiras de funerais são de sândalo. Fotografias não são fermitidas; não, certamente não." (RUSHDIE, 1995, p. 184)


RUSHDIE, Salman. Oriente, Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Massala & História...

Dica de leitura para quem gosta de Gastronomia e História... 

Por Potira
 
CAMARGO-MORO, Fernanda de. Arqueologias culinárias da Índia. Rio de Janeiro: Record, 2006. 3ª ed.
 
Este livro, produzido após três décadas de viagens e pesquisas pelo subcontinente indiano foi escrito partindo de anotações de viagem pela Historiadora, Arqueóloga  e Museóloga Fernanda de Camargo-Moro. Sim, porque alimentação também é História...

É um dos meus livros favoritos, porque ele não é um livro de receitas, apesar de ter receitas, não é um livro de viagens, apesar de falar sobre elas, não é um livro de antropologia, apesar desta estar constantemente em pauta...

Desde 2007 que eu faço experimentos culinários indianos graças a este livro. Tem desde as receitas mais tradicionais e clássicas, até algumas inusitadas. São 500 páginas de muuuuita coisa boa...

Massala de base - Esta é uma mistura com picante de intensidade média.

*6 pimentos (chiles) vermelhos secos 
*25g de grãos de coriandro 
*2 colheres de café de grãos de cominho 
*1/2 colher de café de grãos de mostarda 
*1 colher de café de grãos de pimenta preta 
* 1 colher de café de grãos de feno-grego 
* 10 folhas frescas de curry 
* 1/2 colher de café de gengibre moído 
* 1 colher de sopa de curcuma moída

Retire os grãos dos pimentos secos. Numa frigideira, faça tostar rapidamente, em fogo médio, misturando, os pimentos e as especiarias em grão. Deixe esfriar, depois moa tudo junto. Toste as folhas de curry, soque e misture a curcuma e o gengibre. Depois junte tudo.
 
Variante - Massala aromático

Não use mais do que 2 ou 3 pimentas. Junto com o gengibre e a curcuma, adicione uma colher de canela, moída na hora, e 1/4 de xícara de café de cravos-da-índia, moídos depois de tostados...

Garam Massala - muito comum no Uttar Pradesh e no Punjab para aromatizar molhos que acompanham carnes e aves.

*2 bastões de canela 
* 3 folhas de louro 
*40g de cominho 
*25g de coriandro 
* 20g de cardamono 
* 20g de pimenta preta 
*15 g de cravos-da-índia 
*15g de macis de moscada

Quebre a canela em pedaços pequenos e pulverize as folhas de louro. Na frigideira preaquecida, faça tostar as especiarias inteiras, exceto a moscada, rapidamente, em fogo médio, mexendo bastante. Deixe esfriar, soque bastante, moa, desfaça socando e misture o macis.

Conservação: 3 ou 4 meses em vasilha hermética.

Quem quiser comprar o livro aproveite, tem até receita de massala para acompanhar frutas e sobremesas. Tem tudo que é tipo de comida, receita parsi, sikh, muçulmana, cristã,  judaica e é claro hindu... Alimentação para festivais religiosos, casamentos e receitas da realeza e de camponeses... Receitas de norte a sul, leste a oeste da Índia e ainda dicas de restaurantes na India e lugares pra comprar ingredientes de comida indiana fora da India.

Um grande livro! Em breve eu trago mais algumas receitas e Histórias deste livro...
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Escrever, registrar, blogar, historiar, provocar...


Depois de muito tempo "fechado para balanço" onde eu continuei escrevendo, porém, de forma particular, este meu blog volta a ser um espaço de construção, desconstrução e reconstrução. Ou um espaço para devaneios sobre o nada.



Não, este meu blog não pretendia ser público, mas o é, mesmo não querendo ser.

Quem escreve, registra suas palavras para si próprio ou para os outros???

Será que realmente escrevemos para que seja lido?

Qual a abrangência de palavras registradas num diário virtual??


Esquecimento?

Eu arquivo?

E eu me inspiro com esta minha foto de uma pequena partícula do acervo do Arquivo Público do Rio Grande do Sul (APERGS)... Onde estão as pessoas que escreveram estes manuscritos? Quem leu e quem ainda os lerá? Ficarão apenas como registros para o trabalho dos Historiadores?



E junto a isso, um trecho do Arnaldo Jabor desta semana:


"Tem gente que fala para mim: "Faz um blog, faz um blog!" Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo sobre o saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.



Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões "on line" e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação "em rede" para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas "on line".


Esta é a fonte para quem quiser ler o texto do Arnaldo Jabor na íntegra, inclusive na parte final onde ele fala sobre os textos que dizem ser de sua autoria, mas que não são... ( http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdEdicao=1469&IdColunaEdicao=10007)
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