sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Comentários e a popularidade do blog


Todos os dias o blog recebe diversos visitantes de todos os lugares do Mundo (para saber é só clicar aqui e aqui). Porém, muitos daqueles que por aqui passam não deixam comentários. É tão bom saber que o blog ajudou a ilustrar alguma questão, esclarecer dúvidas, instigar leituras, fomentar discussões, sugerir sonhos...

Deixe um comentário e registre a sua visita aqui neste blog.


Ah, e Feliz Ano Novo para todos nós...

=)
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Índia para todos

Agradeço a colega Tanara, amiga e parceira de trocas culturais indianas desde tempos remotos, pela gentileza de me indicar a matéria...

Índia para todos

Quatro viajantes contam aqui suas experiências pelo país berço da ioga e de outras tradições milenares que hipnotizam o Ocidente.

por Iracy Paulina (para CLAUDIA)



Jaipur 
Foto: Divulgação









Bordados da arquitetura


"Eles enfeitam qualquer parede com desenhos maravilhosos. Parece que tudo é bordado na Índia", derrete-se a designer de interiores Neza Cesar, apaixonada pela riqueza de detalhes da arquitetura local. "As construções são feitas para agradar a uma divindade. Por isso, a planta precisa obedecer a uma série de recomendações do Vastu, espécie de feng shui dos indianos", conta. Outra característica dos prédios é a ausência de portas. "Eles usam arcos e jardins internos, para que a energia circule." 


Entre os monumentos considerados "imperdíveis" pela designer, está o forte Amber, em Jaipur. Construído em mármore branco e arenito vermelho, em 1592, pelo marajá Man Singh, constitui um exemplar típico da arquitetura da dinastia Rajput, com tetos forrados de espelhos, passagens secretas e templos. 

Outra cidade que não deve ficar de fora do roteiro é Agra, distante cerca de 200 quilômetros de Délhi, berço do famoso Taj Mahal, o mausoléu construído pelo imperador Shah Jahan no século 17 para homenagear sua segunda esposa, Mumtaz Mahal, que morreu ao dar à luz um dos filhos do casal. Erigido em mármore branco com marchetaria em pedras, o monumento levou 15 anos para ficar pronto e empregou 20 mil operários. 

Ainda na cidade, o forte e o palácio de arenito vermelho são outras atrações majestosas. O forte começou a ser erguido pelo imperador Shah Jahan, que, mais tarde, foi encarcerado lá por um de seus filhos. Pediu para ser preso em uma das alas com vista para o Taj Mahal, onde sua amada estava enterrada, e foi atendido. Esse cômodo é aberto aos turistas, que podem desfrutar da mesma vista.



Aventura espiritual

Namastê, o típico cumprimento indiano, já diz tudo. Significa "o deus que há em mim saúda o deus que há em você". "Na verdade, a tradição hinduísta é mais do que uma corrente religiosa", explica a mestra de ioga Marcia De Luca. "Manifesta-se em todos os aspectos, na divisão da sociedade em castas, na arquitetura, na filosofia, na meditação, nas festas e festivais. 

A cultura indiana é orientada pelas escrituras sagradas, os Vedas, com mais de 5 mil anos. De acordo com a filosofia védica, para viver em harmonia, o ser humano precisa encontrar o seu lugar no Universo. Um dos caminhos é a ioga. "A prática foi disseminada no Ocidente por grandes autoridades espirituais do passado, como Yogananda e Aurobindo", diz Marcia. Atualmente, quatro grandes mestres atraem multidões para os seus ashrans (escolas ou comunidades). Marcia freqüenta o maior deles, Parmarth Niketan, do mestre Pujya Swamiji, na cidade de Rishikesh, no sopé do Himalaia. Ali também está a escola de outro grande mestre, Dayananda. 

No sul do país, Marcia sugere ainda a mestra do abraço, Amma, cujo ashram fica na cidadezinha de Amritapuri, em Kerala; e o guru Sathya Sai Baba, que comanda três comunidades, em Puttaparthy, Bangalore e Kidai Kanal. Todos esses ashrams acolhem turistas - com instalações simples e preço razoável - para temporadas de meditação e ioga.





Jaipur 
Foto: Divulgação








Exuberância feminina


Como se veste uma mulher que acredita que o corpo é a morada dos deuses? Para entender cada detalhe desse guarda-roupa tão especial, Emilia Duncan, a figurinista da novela global Caminho das Índias (2008), mergulhou de cabeça na pesquisa da indumentária do povo indiano. "Não importa se a mulher é rica ou pobre, ela se embeleza dos pés à cabeça para agradar às divindades." 


A indumentária feminina básica é composta de sáris, tecido enrolado ao corpo, e punjabi, conjunto de túnica e calça comprida. Os conselhos de Emilia: Jaipur é ótimo para quem quer comprar joias; a capital, Nova Délhi, é a meca dos tecidos, pois reúne produtos do país inteiro. Em todas as lojas, prepare-se para um ritual. "Tire os sapatos para entrar. Lá dentro, você senta numa almofada, o dono vem atendê-la, oferece um chá e mostra tudo. E pode barganhar o preço", afirma ela.



Festa de sabores

Para os indianos, uma refeição completa deve harmonizar todos os sabores - doce, salgado, amargo, ácido, picante e adstringente. As especiarias, usadas em abundância, servem para realçar sabores e aromas e também para equilibrar os chacras (centros de energia localizados ao longo da coluna), cumprindo um papel digestivo e nutricional. 

As massalas são misturas de temperos como cardamomo, gengibre, cominho, pimenta e curry. Formada em hotelaria na Áustria, a paulista Manuela Mantegari Narvania começou a desvendar todos esses segredos ao se casar com um indiano e acabou abrindo um bufê e um restaurante em São Paulo, o Curry Comida Indiana. "Minha sogra e minha cunhada me mandavam receitas, depois complementei o cardápio durante as viagens", diz ela. 

Manuela lembra que o menu indiano não é apenas vegetariano. "A ala muçulmana adota a carne de carneiro, e há regiões em que se comem frango e peixe." Em linhas gerais, no norte impera o uso de grãos, com vários tipos de lentilha e ervilha. No sul, o arroz e o coco roubam a cena. Usa-se muito o tandoori, forno de barro, onde são assados as carnes, os legumes e shapati, pão à base de farinha integral e água. Para os turistas que visitam Jaipur, ela indica o Chokhidhani, um centro onde se pode conhecer as comidas típicas e as danças indianas.
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sábado, 25 de dezembro de 2010



"Esvazie a sua xícara de chá para que possa provar do meu."


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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A viagem do elefante - José Saramago

Convidado por uma amiga para jantar no restaurante O Elefante em Viena, José Saramago viu pequenas esculturas de madeira postas em fila. Da direita para a esquerda, principiando pela Torre de Belém em Portugal, vinham representações de vários edifícios e monumentos europeus, enunciando um intinerário. Ali havia uma história...

Foi-lhe dito então que se tratava da viagem de um elefante que no século XVI foi trazido da Índia para Portugal. O elefante, de nome Salomão em 1551 foi dado como presente de casamento ao arquiduque austríaco Maximiliano II pelos monarcas portugueses Dom João III e sua mulher Catarina d'Áustria.

"(...) Aproximava-se um homem de rasgos indianos, coberto por roupas que quase se haviam convertido em andrajos, uma mistura de peças de vestuário de origem e de fabrico nacional, mal cobertas ou mal cobindo restos de panos exóticos, vindos com o elefante, naquele mesmo corpo, há dois anos. Era o cornaca. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 19-20)

"(...) Subhro. Subhro, repetiu o rei, que diabo de nome é esse, Com agá, meu senhor, pelo menos foi o que ele disse, aclarou o secretário. Devíamos ter-lhe chamado Joaquim quando chegou a Portugal, resmungou o rei." (SARAMAGO, 2008, pág. 24)

"(...) Esqueci-me do significado do nome do cornaca, como era ele, estava perguntando o rei, Branco, meu senhor, subhro significa branco, ainda que não o pareça. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 32)

"(...) O passado é um imenso pedregal que muitos gostariam de percorrer como se de uma auto-estrada se tratasse, enquanto outros, pacientemente, vão de pedra em pedra, e as levantam, porque precisam de saber o que há por baixo delas. (...) (SARAMAGO, 2008, pág. 33)

"(...) Não é todos os dias que aparece nas nossas vidas um elefante." (SARAMAGO, 2008, pág. 63)

"(...) um preceito velho como a sé de braga, aquele que determina que terá de haver um lugar para cada coisa a fim de que cada coisa tenha o seu lugar e dele não saia. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 123)

"(...) Ter partilhado as horas com este homem foi uma das mais felizes experiências da minha vida, talvez porque a índia saiba algumas coisas que nós desconhecemos. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 155)

"(...) São costumes da índia, meu senhor, Estamos em espanha, não na índia, Se vossa alteza conhecesse os elefantes como eu tenho a pretenção de conhecer, saberia que para um elefante indiano, dos africanos não falo, não são da minha competência, qualquer lugar em que se encontre é índia, uma índia que, seja o que for que suceda, sempre permanecerá intacta dentro dele, Tudo isso é muito bonito, mas eu tenho uma longa viagem por diante (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 162-163)

"(...) O que nos vale é o bom feitio dos elefantes, especialmente dos oriundos da índia. Pensam eles que é preciso ter muita paciência para aturar os seres humanos, inclusive quando nós os perseguimos e matamos para lhes serrarmos ou arrancarmos os dentes por causa do marfim. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 166)

"(...) a voz pública que, como sabemos, é capaz de jurar o que não viu e afirmar o que não sabe. (...) (SARAMAGO, 2008, pág. 189)

"(...) como aconteceu àquele rapazinho que, tendo perguntado ao avô por que se chamava elefante ao elefante, recebeu como resposta que era por ter tromba. (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 250)

"(...) Ia o elefante no seu passo medido, sem pressa, o passo de quem sabe que para chegar nem sempre é preciso correr. (...)"(SARAMAGO, 2008, pág. 251)

"(...) segundo antiquíssimas histórias e as subsequentes lendas, tinham também andado, depois de haverem atravessado os pirinéus, o famoso general cartaginês aníbal e seu exército de homens e elefantes africanos que tantos desgostos viriam a dar aos soldados de roma, (...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 214-215)

"(...) mas a história assim o deixou registrado como facto incontroverso e documentado, avalizado pelos historiadores e confirmado pelo romancista, a quem haverá que perdoar certas liberdades em nome, não só do seu direito a inventar, mas também da necessidade de preencher os vazios para que não viesse a perder-se de todo a sagrada coerência do relato. No fundo há que reconhecer que a história não é apenas selectiva, é também discriminatória, só colhe da vida o que lhe interessa como material socialmente tido por histórico e despreza todo o resto, precisamente onde talvez poderia ser encontrada a verdadeira explicação dos factos, das coisas, da puta realidade. Em verdade vos direi, em verdade vos digo que vale mais ser romancista, ficcionista, mentiroso.(...)" (SARAMAGO, 2008, pág. 224-225)

"(...) Como já deveríamos saber, a representação mais exacta, mais precisa, da alma humana é o labirinto. Com ela tudo é possível." (SARAMAGO, 2008, pág. 237)

"(...) Às árvores pintadas não caem as folhas." (SARAMAGO, 2008, pág. 240)


SARAMAGO, José. A viagem do elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Passage Brady - A pequena Índia de Paris

Um pedaço da Índia em Paris... Desde 1828 a Passage Brady, antiga galeria parisiense tornou-se o local perfeito para comprar especiarias, bijuterias, sarees, instrumentos musicais e artigos da Índia e Pakistão no coração da capital francesa.

Há restaurantes típícos na área e todos costumam ter um bom preço. Experimente o Le Roy du Kashmir, o Ganesha Corner, vá até a loja de dvds Bollywood Univers e a única florista indiana em Paris a Hibiscus Fleurs.

A galeria fica entre o Faubourg Saint-Martin e o Faubourg Saint-Denis pelo metrô Châteu d'Eau.
  
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Saramago conta a história de Ganeixa

"(...) Um elefante que estava moribundo e a quem cortaram a cabeça depois de morto, Então acabou-se tudo aí, Não, a cabeça foi posta no pescoço de um deus que se chama ganeixa e que estava morto, Fala-nos desse tal ganeixa, disse o comandante, Comandante, a religião hinduísta é muito complicada, só um indiano está capacitado para compreendê-la, e nem todos o conseguem, Creio recordar que me disseste que és cristão, E eu recordo-me de ter respondido, mais ou menos, meu comandante, mais ou menos, Que quer isso dizer na realidade, és ou não és cristão, Baptizaram-me na índia quando eu era pequeno, E depois, Depois, nada, respondeu o cornaca com um encolher de ombros, (...). Segundo a tua religião, quem foi que criou o universo, perguntou o comandante, Brama, meu senhor, Então, esse é deus, Sim, mas não o único, Explica-te, É que não basta ter criado o universo, é preciso também quem o conserve, e essa é a tarefa de outro deus, um que se chama vixnu, Há mais deuses além desses, cornaca, Temos milhares, mas o terceiro em importância é siva, o destruidor, Queres dizer que aquilo que vixnu conserva, siva o destrói, Não, meu comandante, com siva a morte é entendida como princípio gerador da vida, Se bem percebo, os três fazem parte de uma trindade, são uma trindade como no cristianismo, No cristianismo são quatro, meu comandante, com perdão do atrevimento, Quatro, exclamou o comandante, estupefacto, quem é esse quarto, A virgem, meu senhor, A virgem está fora disto, o que temos é o pai, o filho e o espírito santo, E a virgem, Se não te explicas, corto-te a cabeça, como fizeram ao elefante, Nunca ouvi pedir nada a deus, nem jesus, nem ao espírito santo, mas a virgem não tem mãos a medir com tantos rogos, preces e solicitações que lhe chegam a casa a todas as horas do dia e da noite, Cuidado, que está aí a inquisição, para teu bem não te metar em terrenos pantanosos, Se chego a viena, não volto mais, Não regressas à índia, perguntou o comandante, Já não sou indiano, Em todo o caso vejo que do teu hinduísmo pareces saber muito, Mais ou menos, meu comandante, mais ou menos, Porquê, Porque tudo isso são palavras, e só palavras, fora das palavras não há nada, Ganeixa é uma palavra, perguntou o comandante, Sim, uma palavra que, como todas as mais, só por outras palavras poderá ser explicada, mas, como as palavras que tentaram explicar, quer tenham conseguido fazê-lo ou não, terão, por sua vez, de ser explicadas, o nosso discurso avançará sem rumo, alternará, como por maldição, o errado com o certo, sem se dar conta do que está bem e do que está mal, Contá-me quem foi ganeixa, Ganeixa é filho de siva e de parvati, também chamada de durga ou kali, a deusa dos cem braços, Se em vez de braços tivessem sido pernas, podíamos chamar-lhe centopeia, disse um dos homens rindo-se contrafeito, como arrependido do comentário mal ele lhe saíra da boca. O cornaca não lhe prestou atenção e prosseguiu, Há que dizer, como aconteceu com a vossa virgem, que ganeixa foi gerado por sua mãe, parvati, sem intervenção do marido, siva, o que se explica pelo facto de que este, sendo eterno, não sentia nenhuma necessidade de ter filhos. Um dia, tendo parvati decidido tomar banho, sucedeu que não havia guardas por ali a fim de a protegerem de alguém que quisesse entrar na sala. Então ela criou um ídalo com a forma de um rapazinho, feito com a pasta que havia preparado para lavar-se, e que não devia ser outra coisa que sabão. A deusa infundiu vida no boneco, e este foi o primeiro nascimento de ganeixa. Parvati ordenou a ganeixa que não permitisse a entrada de ninguém e ele seguiu à risca as ordens da mãe. Passado pouco tempo, siva regressou da floresta e quis entrar em casa, mas ganeixa não permitiu, o que, como é natural, enfureceu siva. Então deu-se o seguinte diálogo, Sou o esposo de parvati, portanto a casa dela é a minha casa, Aqui só entra quem minha mãe quiser, e ela não me disse que tu podias entrar. Siva perdeu a paciência e lançou-se numa feroz batalha com ganeixa, que terminou com o deus cortando com o seu tridente a cabeça ao adversário. Quando parvati saiu e viu o corpo sem vida do filho, seus gritos de dor depressa se transformaram em uivos de fúria. Ordenou a siva que devolvesse imediatamente a vida a ganeixa, mas, por desgraça, o golpe que o tinha degolado havia sido tão poderoso que a cabeça foi atirada para muito longe e nunca mais a viram. Então, como último recurso, siva foi pedir auxílio a brama, que lhe sugeriu que substituísse a cabeça de ganeixa pela do primeiro ser vivo que encontrasse no caminho, desde que estivesse na direcção norte. Siva mandou então o seu exército celestial para que tomasse a cabeça de qualquer criatura que encontrassem dormindo com a cabeça na direcção norte. Encontraram um elefante moribundo que dormia desta maneira e, após a sua morte, cortaram-lhe a cabeça. Regressaram aonde estavam siva e parvati e entregaram-lhes a cabeça do elefante, a qual foi colocada no corpo de ganeixa, trazendo-o de novo à vida. E foi assm que nasceu ganeixa depois de ter vivido e morrido. (...) (SARAMAGO, 2008, pág. 69-73)


SARAMAGO, José. A viagem do elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Créditos das imagens: Imagem 1
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

... como um par de sapatos que ficaram pequenos demais.

"(...) consciente das limitações de sua cidade natal, irritando-se diante de sua pequenez, sentindo seu aperto, como um par de sapatos que ficaram pequenos demais. (...)" (UMRIGAR, 2009, pág. 136)

UMRIGAR, Thrity. O Tamanho do Céu. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Bollywood Bus

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"O Tamanho do Céu" - Um homem casado com uma nuvem...


"(...) Sabia agora que a Índia não ficaria contente em ser pano de fundo, que não era o papel de parede de ninguém, que insistia em se imiscuir na vida de todo mundo, intrometendo-se nela, distorcendo-a, modelando-a tanto que se tornava irreconhecível. Descobriu que a Índia era um local de intrigas políticas e corrupção econômica, um local ocupado por gente real com suas necessidades incessantes, desejos, ambições e aspirações humanas, e não a entidade exótica, espiritual e misteriosa criada pela imaginação ocidental." (UMRIGAR, 2009, pág. 59)

"(...) sentiu ter tido um vislumbre do que significava ser um homem que era casado com uma nuvem, sempre mudando, filtrando a luz, mas também contendo a chuva." (UMRIGAR, 2009, pág. 71)

"(...) Este era um país onde as fronteiras entre as metáforas e a realidade, entre os fatos e a ficção, eram praticamente inexistentes porque coisas estranhas e improváveis aconteciam o tempo todo. (...)" (UMRIGAR, 2009, pág. 112)

"BOMBAIM.
Que palavra enganadora, de som suave como pão de ló na boca. Até o novo nome da cidade, Mumbai, carrega essa suavidade redonda, de modo a deixar o visitante despreparado para a realidade dessa cidade gigante e enlouquecedora que é uma agressão, um soco na cara. Tudo nesta cidade ataca você de imediato, assim que se abandona a tranquilidade verde das montanhas que a circundam e nela se adentra: as fileiras de favelas que parecem construídas por e para pássaros gigantes e exêntricos em vez de seres humanos; os prédios antigos em ruínas que há décadas não veem uma demão de tinta e muitos dos quais são mantidos de pé por andaimes; os prédios novos e altos que se erguem de ruas miseráveis e apontam como dedos finos em direção a um céu sujo e poluído; o tango insano de riquixás motorizados, carros, bicicletas, lambretas e carros de boi competindo por seu centímetro de espaço e criando um escarcéu barulhento de buzinas, berros e vitupérios estrondosos; os pedintes - sem braços, pernas, dedos, olhos, e ainda os leprosos, meu Deus, até sem nariz - cortando por entre os veículos, os pernetas sentados em skates artesanais, dificultando para os motoristas os localizarem; e, acima de tudo, as pessoas, a constante e sempre presente massa de pessoas, milhares delas em cada rua, esparramando-se das calçadas invadidas pelas favelas para as ruas, esparramando-se das calçadas invadidas pelas favelas para as ruas, ziguezagueando pelo trânsito, contornando o capô de um carro para evitar serem atropeladas por ele, e sempre movendo-se e movendo-se, uma procissão em movimento. (...)" (UMRIGAR, 2009, pág. 132-133)

"(...) Frank sabia como os indianos eram problemáticos em relação ao sexo, estando consciente da peculiar combinação de recato feminino e opressão masculina que era a marca registrada dos filmes de Bollywood e, peloque lhe constava, da própria cultura indiana. (...)" (UMRIGAR, 2009, pág. 143)

"(...) Era uma típica característica indiana - vasculhar sua vida sem dó nem piedade e depois mostrar-se insuportável  e prepotentemente superior. Como se eles soubessem mais da vida do que você." (UMRIGAR, 2009, pág. 257)

UMRIGAR, Thrity. O Tamanho do Céu. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

Título Original: The Weight of Heaven
© 2009 by Thrity Umrigar
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

30 anos sem John Lennon




Com Maharishi Mahesh Yogi ,1968Rishikesh, Índia. 

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Um lugar para todos... "alguma coisa que nos salve ou destrua".


“Ai Bombaim”, pensou Rusi. “Que lugar. Cidade de sonhos e cidade para despertar do sonho. Endereço da Dharavi, a maior favela da Ásia, e endereço do sofisticado e imaculado Clube de Críquete da Índia. Terra natal de Zubin Mehta, maestro de renome mundial, e de Ragu, o menino mendigo que o pai cegou ao nascer, esperando que esse ato de amor fizesse aumentar o fluxo de moedas piedosas no pote de esmolas do filho. Cidade de amor selvagem e de ódio selvagem. Cidade onde os arranha-céus dourados beijam a face de Deus no céu e as favelas negras descobrem o inferno na Terra.” (UMRIGAR, 2008, pág. 36)

“[...] Esperamos por alguma coisa que nos salve ou destrua”. (UMRIGAR, 2008, pág. 37)

“Era apenas o som do seu coração se partindo.” (UMRIGAR, 2008, pág. 180)

“[...] Só podemos dar aos outros aquilo que temos. Se tiver felicidade no seu coração, você vai poder partilhá-la com outra pessoa e fazê-la feliz. Se tiver apenas sofrimento, é só isso que vai ser capaz de dividir.[...] (UMRIGAR, 2008, pág. 193)

[...] O que quero dizer é muito simples: seja feliz. Em vários lugares, isso é fácil. Nos Estados Unidos, me disseram, essa frase está escrita até na Constituição. Mas na Índia, não. Não na nossa comunidade parse.  Aqui sempre nos dizem para não rirmos alto demais, não sonharmos grande demais, não voarmos para longe demais. Desde criança ouvimos que o orgulho vem antes do tombo. Mas, Mehernosh, um homem que mergulha para pegar peixe pega peixes. Quem tem por meta as estrelas, alcança uma estrela. Por isso, quem tem peixes só pode partilhar peixes, não estrelas. Ninguém pode partilhar o que não tem, entende? A vida toda nos disseram que Deus não deseja que sejamos orgulhosos, que Deus corta as assas de quem voa alto demais. Mas acontece que ninguém conhece a fita métrica de Deus. [...] (UMRIGAR, 2008, pág. 274)


UMRIGAR, Thrity. Um lugar para todos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Título Original: Bombay Time
© 2001 by Thrity Umrigar
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domingo, 5 de dezembro de 2010

A doçura do mundo - If today be sweet

"A neve é muito diferente da chuva, pensou Tehmina. A chuva em Bombaim era como um intruso desajeitado, com pés de chumbo, que esbarrava nos móveis e caía por cima deles, derrubava a louça e fazia sentir sua presença pesada e suarenta nas ruas golpeadas e batidas. Mas a neve daqui! Tehmina deslumbrou-se com seu ar furtivo, seu subterfúgio, seu toque leve. Ora, a pessoa podia dormir a noite inteira e nem saber que tinha nevado, até de manhã. 
Chuva e neve. A maneira perfeita de descrever a diferença entre Bombaim e os Estados Unidos, pensou Tehmina. Uma era ruidosa, caótica, tumultuada e errática. A outra era calma, anti-séptica, refinada e polida. (...)" (UMRIGAR, 2008, pág. 93)


"(...) Tehmina lembrou-se de todos os limites rigorosos impostos por sua mãe: a mulher não devia se olhar no espelho, para que os outros não a julgassem fútil; nunca devia reclamar de nada em sua vida, porque havia milhões de pessoas em pior situação; devia cobrir a boca ao rir, porque, de outro modo, os homens a considerariam promíscua; devia contentar-se com o que Deus lhe desse, porque esse era o seu destino; nunca devia comer na rua, para não despertar a atenção e a inveja dos famintos a seu redor; nunca devia gabar-se de ter dinheiro, para não provocar a inveja nos vizinhos. (...)" (UMRIGAR, 2008, pág 157)


"(...) Um país inteiro em que as pessoas fazem amor quietinhas feito camundongos, mas gargarejam e pigarreiam feito tigres selvagens! Um país em que não se pode andar de mãos dadas com o próprio marido na rua, sem ser alvo de olhares severos, mas onde é possível praticar os rituais mais íntimos em público!" (UMRIGAR, 2008, pág. 176)


UMRIGAR, Thrity. A doçura do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.


Título Original: If today be sweet
Copyright © 2007
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Colour Walla

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A distância entre nós...

"(...) como queria algo melhor, mais profundo, um casamento feito de seda e veludo e não de um pano áspero qualquer; um casamento feito de nuvens e estrelas, de terra vermelha e espuma do mar, de lunares, sonatas, livros e galerias de arte, de paixão, bondade, mágoa e êxtase, e de dedos se tocando sob uma burca.(...)" (UMRIGAR, 2006, pág. 96)

"Para onde iam todas essas lágrimas derramadas no mundo?" (UMRIGAR, 2006, pág. 159)

"(...) Como um músico, o pathan tinha aprendido a compor uma canção a partir de sua solidão. Como um mágico, tinha aprendido a usar apenas o ar para contorcer e transformar pedaços inexpressivos de borracha em objetos de felicidade. De mãos vazias, tinha construído um mundo." (UMRIGAR, 2006, pág. 325)

UMRIGAR, Thrity. A distância entre nós. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

Título Original: The Space Between Us
Copyright © 2005
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Taj Mahal para o Dia do Samba no Brasil


Hoje no Brasil é o Dia do Samba e para comemorar aqui no blog teremos um grande músico e compositor brasileiro Jorge Ben Jor. Suas músicas são cheias de elementos e influências de diversos ritmos, entre eles samba e samba rock.  

A música não poderia ser outra, com vocês: Taj Mahal.


Foi a mais linda
História de amor
Que me contaram
E agora eu vou contar
Do amor do príncipe
Shah-Jehan pela princesa
Mumtaz Mahal
Do amor do príncipe
Shah-Jehan pela princesa
Mumtaz Mahal...


Tê Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê...


Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê...


Uhou! Uhou!
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê...


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terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Rota da Seda no imaginário europeu sobre o Oriente

Em 2007 eu tive a honra de ser aluna desta grande historiadora em um curso sobre Orientalismo. Desde então venho aprofundando minhas leituras referentes ao tema e sigo admirando o trabalho da queridíssima Carmen Licia Palazzo através de suas publicações e do blog.

“(...)
O imaginário europeu sobre o Oriente era influenciado também pelas histórias contadas sobre a milenar Rota da Seda, que mergulhava suas raízes na Antiguidade. A denominação de Rota da Seda data do século XIX e foi cunhada pelo explorador e geógrafo Ferdinand Von Richthofen, mas as inúmeras aventuras daqueles que palmilharam sua vasta extensão já eram conhecidas há muitos séculos. Por Rota da Seda entende-se não uma estrada única, mas uma ampla rede de caminhos, trilhas e oásis pelos quais transitaram, desde a Antiguidade e, intensamente durante toda a Idade Média, comerciantes, monges, militares e aventureiros. Motivados por interesses variados, os viajantes, em razão dos inúmeros encontros, foram responsáveis também por um fecundo intercâmbio de ideias e de crenças. 
Os monges budistas chineses Fa Xi’an e Xuanzang percorreram o interior da Ásia e deixaram relatos de grande interesse para a pesquisa histórica. O primeiro viajou entre os anos de 399 e 414, e o segundo, entre 629 e 654. Em toda a extensão da Rota da Seda, circulavam, entre outros, budistas, taoístas, confucionistas, zoroastristas, cristãos nestorianos, hinduístas, judeus e, a partir do século VIII, com o início da grande expansão do Islã, também muçulmanos. Viajantes ocidentais, como Marco Polo, Rubruck e Del Carpine percorreram igualmente os caminhos da Rota da Seda e tiveram influência marcante na rica elaboração de imagens do Oriente na Europa com a divulgação de seus relatos
As grutas do oásis de Dunhuang, um importante testemunho material da religiosidade budista, ainda hoje são de grande interesse para os pesquisadores e visitantes que percorrem antigos caminhos em busca de traços do passado. Esse oásis era um ponto de descanso importante para mercadores e peregrinos que se deslocavam entre os extremos orientais e ocidentais da Ásia e entre o norte e o sul do continente. As grutas começaram a ser utilizadas no século III da era atual principalmente por monges chineses e indianos e por outros peregrinos vindos de diversas regiões do continente asiático. 
Os religiosos budistas foram se estabelecendo em Dunhuang e formando comunidades que, por sua vez, passaram a receber novos visitantes na medida em que se tornavam mais conhecidas. As grutas mantiveram-se muito frequentadas durante toda a Idade Média especialmente até o século XVI, enquanto durou o período de maior importância da chamada Rota terrestre da Seda. Comerciantes cristãos também faziam de Dunhuang um de seus pontos de descanso e ali foram encontrados documentos que atestam a passagem de nestorianos e outros cristãos orientais. 
Antes de seguir caminho, as caravanas encontravam no oásis de Dunhuang repouso, apoio material e conforto para o espírito, através dos ensinamentos dos monges budistas. Como era hábito na época, pediam a proteção para suas jornadas fazendo doações que, através dos anos, foram se concretizando como encomendas regulares de obras de arte. Enriqueciam-se, dessa forma, as paredes das cavernas com um impressionante conjunto de pinturas e esculturas.
No século XIV, problemas provocados pelos deslocamentos dos mongóis levaram ao desenvolvimento da rota marítima, em substituição ao inseguro caminho terrestre que era anteriormente realizado com frequência. Os navios passaram então a tomar a direção do Oceano Índico para chegar à distante China com escalas em diversos portos, o que permitia acrescentar muitos produtos às cargas além da tão procurada seda chinesa, da porcelana e do jade. Nesse percurso, multiplicavam-se não apenas os negócios, mas também as lendas e os contos fantásticos. 
Quando, um pouco mais tarde, os navegantes percorrem novas rotas e avançam pelo Atlântico para contornar a África, estão presentes todos os componentes de um imaginário complexo que associa a viagem à aventura, aos lucros e ao maravilhoso.”

PALAZZO, Carmen Licia. Entre mitos, utopias e razão: os relatos franceses sobre o Brasil. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2a edição revisada e ampliada, 2010.

Texto disponível no site da autora:
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Taste Of India - Aerosmith


Taste Of India, uma boa indicação do meu amado especialmente aqui pro blog...
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domingo, 28 de novembro de 2010

Farsa chamada Auto da Índia de Gil Vicente

Castelhano:


Al diablo que lo doy
el desastrado perdido.
Qué más India que vos,
qué más piedras preciosas,
qué más alindadas cosas,
que estardes juntos los dos?


(VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno, Farsa de Inês Pereira e Auto da Índia. São Paulo: Ática, 1999. Pág. 117.)


Este trecho da farsa escrita em 1509 pelo português Gil Vicente traz a fala do castelhano Juan de Zamora para sua amante Constança. Ele protesta o fato do marido ter partido e deixado a esposa e diz que não pode haver nenhuma Índia maior que ela, que não pode haver pedras preciosas nem coisas mais lindas do que estarem os dois juntos.

Esta é a comédia de Constança, cujo marido havia embarcado para a Índia na armada de Tristão da Cunha. Descrente do seu retorno visto que muitos navegadores jamais retornaram aos seus lares depois que partiam para o Oriente, Constança envolve-se com dois amantes até que após três anos o marido retorna.

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नमस्ते Rangoli screens in the market for Diwali


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O fabuloso Flamenco de "Tablao": realmente um espetáculo!


Ontem assisti ao Tablao da Cia. de Flamenco Andrea del Puerto. Foram duas horas de um espetáculo que fez jus ao termo "espetáculo". Deixo aqui o registro de alguns momentos com fotografias e um vídeo que eu fiz para vocês...

*Clique nas fotos para ampliar as imagens.




 

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

365 dias, 365 itens de vestuário, 365 dólares.

Você conseguiria renovar seu estilo com looks diferentes e criativos todos os dias, durante um ano e gastando menos de R$ 2,oo por dia?


Estava navegando pela internet quando encontrei este blog da americana Marisa com dicas, tutoriais e fotos de antes e depois das roupas que ela compra por 1 dólar em brechós e customiza ela própria. E não é que encontrei alguns looks com ares orientais por lá? 
Confira abaixo algumas imagens com o antes e o depois de algumas peças.

Marisa no 331° dia







Deste último modelo, destaco o enfeite para o cabelo de penas de pavão. Adorei e estou providenciando algumas para mim...

Para quem gostou, fica a dica de dar uma olhada no blog e um passeio pelos brechós da sua cidade. Ou faça como eu que adoro garimpar nos armários da minha mãe e em lojas alternativas que vendem roupas novas de modelos "exóticos" por preços super exclusivos...

Repense o consumo, reutilize.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Noorie - Bally Sagoo


Um som das antigas do Bally Sagoo, mais uma que tocava no Música do Mundo do Ricardo Barão...




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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Campanha contra a exploração do trabalho infantil na Índia.



Over 1 million children are secretly employed in industries across India. To end this exploitation, log on to www. rcmsp.org and vote for the use of 'No Child Labour' labels on products.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O ser humano e suas redes...


Fiz um vídeo com imagens de Os The Darma Lóvers para a canção A teia da Tela do álbum Simplesmente de 2009 para complementar um texto do meu amigo Jay.




"(...) Você que está ai, sentado na frente do PC, navegando, vidrado na frente da janela mágica, ou você que está trabalhando feito louco tentando alcançar algum objetivo mesquinho, ou apenas você que está de bobeira hipnotizado na frente da TV.

Nunca pararam pra pensar que estão vivos, e que a vida é ali, do lado de fora da porta da frente? A vida de verdade, o mundo de verdade, inquestionavelmente maior que o ser humano e suas redes.
Você já parou pra pensar no que tem de tão especial no “mundo” que você vive? Relacionamentos padronizados, moldes impostos, conceitos, quebras de conceitos, barreiras a serem vencidas, coisas a serem conquistadas, mas pra que? (...)"

Texto escrito pelo meu amigo João Paulo Rücker (Jay)

Confira o texto integral no blog Crônicas por Conta.
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