quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Índia fora da Índia: Bali, Indonésia.


“Bali é uma pequena ilha localizada no centro do arquipélago indonésio, que tem 3.200 quilômetros de comprimento e constitui a nação muçulmana mais populosa da Terra. Bali é, portanto, algo estranho e maravilhoso; não deveria sequer existir, mas existe. O hinduísmo da ilha foi importado da Índia via Java. Comerciantes indianos levaram a religião para o leste durante o século IV d.C. Os reis javaneses fundaram uma poderosa dinastia hinduísta, da qual pouco resta hoje em dia a não ser pelas impressionantes ruínas dos templos de Borobudur. No século XVI, uma violenta rebelião islâmica varreu a região, e a realeza hinduísta adoradora de Shiva fugiu de Java, partindo em grandes grupos para ir se refugiar em Bali durante o que seria lembrado como o Êxodo de Majapahit. Os javaneses abastados, de alta casta, trouxeram consigo para Bali apenas suas famílias reais, seus artesãos e seus sacerdotes – portanto não é um exagero quando se diz que todo mundo em Bali é descendente de rei, sacerdote ou artista, e que é por isso que os balineses são tão orgulhosos e inteligentes.
Os colonos javaneses também trouxeram para Bali o sistema hinduísta de castas, embora as divisões de casta nunca tenham sido aplicadas aqui com tanta brutalidade quanto um dia o foram na Índia. Mesmo assim, os balineses respeitam uma complexa hierarquia social (existem cinco divisões só de brâmanes), e eu pessoalmente teria mais chances de decodificar o genoma humano do que de tentar entender o complicado e emaranhado sistema de clãs que ainda vigora aqui. (Os muito bons ensaios escritos por Fred B. Eiseman sobre a cultura balinesa vão muito mais a fundo nos detalhes que explicam estas sutilezas, e foi de sua pesquisa que tirei a maior parte de minhas informações genéricas, não apenas aqui, mas ao longo de todo este livro.) Basta dizer que, para os nossos padrões, todo mundo em Bali pertence a um clã, todo mundo sabe a que clã pertence, e todo mundo sabe a que clã pertencem todos os outros. [...]”

*Foto
GILBERT, Elizabeth. Comer, rezar, amar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, pág 233 e 234.
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2 comentários:

Álvaro disse...

Muy interesante. Bonitas imágenes.
Saludos desde España.

۞ Potira ۞ disse...

Álvaro, gracias...

Saludos

=)

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