quarta-feira, 30 de junho de 2010

Decore o seu computador com o Taj Mahal...



Que tal esta linda imagem da galeria do Flickr do Stuck in Customs para embelezar a área de trabalho do seu computador?

Clique aqui e salve a imagem.
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Mas tu permanecerás calmo e quieto...

Aceita-os!
A maré alta vem, é bela;
a maré baixa vem, é bela.
Grandes e fortes ondas tentam alcançar o céu;
tremenda energia - observa!
Então vem um oceano calmo, tranqüilo,
e a lua nele se reflete, bela - observa.
E, para observares, terás de permanecer inteiramente silencioso.
Os pensamentos podem continuar a vir à praia,
batendo-se contra as rochas,
mas tu permanecerás calmo e quieto,
eles não te afetarão.


OSHO, A suprema compreensão. São Paulo: Cultrix, 1992, pág. 113


Mais sobre o assunto em A Canção de Mahamudra.

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sábado, 26 de junho de 2010

A "filha" Parvitira...

Parvitira recebeu este nome do tio Vinodh lá do Tamil Nadu...




Fazia tempo que eu estava procurando um fantoche indiano para contar histórias e brincar com as crianças. Como não encontrei um pronto, resolvi testar minhas habilidades com agulha e linha. Gostei do resultado!

Ela tem os olhos negros, penteado da vovó, fala demais igual a mamãe e já nasceu de bindi e piercing no nariz...

=D
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mantenha seus projetos em segredo...

Em meio aos exercícios de meditação, eis que me deparo com a curiosa instrução do autor do livro dirigida aos leitores, a qual reproduzo abaixo: 

   "O estudante não deve falar sobre os exercícios que esteja praticando. Esse cuidado deve ser observado com referência a todas as técnicas apresentadas neste livro. Não comentar os próprios projetos com ninguém, exceto com aqueles que estiverem seguindo a mesma linha de trabalho. O silêncio absoluto é sempre mais aconselhável.
   Ao fazer comentários desperdiçamos força de vontade, o que impede o sucesso nos exercícios. Além disso, os pensamentos de curiosidade daqueles que saibam de nossos esforços nos perseguirão, aumentando a carga de pensamentos indesejáveis que tentamos destruir. Saber disso e guardar silêncio é suficiente para evitar desapontamentos."



(SADHU, Mouni. Concentração. São Paulo: Círculo do Livro, s/d., pág. 19)

Título original: Concentration
Copyright © 1959 Mouni Sadhu
Tradução: Leonides Doblins
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Gota e o Oceano


“Todos sabem que a gota se mistura ao oceano, mas poucos sabem que o oceano se mistura à gota.” Escreveu o sábio Kabir.

(GILBERT, Elizabeth. Comer, rezar, amar: a busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. pág. 207)


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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Arte-Ilustrações em estilo indiano






Ilustrações do folder da programação do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, junho de 2009.

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Descobrindo o Sul da Índia - Entrevista com Iolanda

*Dedicado para a querida Flávia que brindou-nos com esta entrevista e indicou a leitura deste blog aos leitores do Expatriados.


Apesar da Índia ser conhecida pelo exotismo e forte herança cultura, viver por lá nem sempre é uma tarefa fácil.
Iolanda, casada com um indiano, reside e trabalha no país há quase dois anos. Conhecer e viver a Índia através de suas palavras é um exercício fascinante…
- Nome:
Iolanda
- Onde nasceu e cresceu?
Nasci e cresci em Goiânia, Goiás.
- Em que país e cidade você mora?
Estou vivendo em Bangalore, Karnataka, no sul da Índia, desde Setembro de 2008.
- Você mora sozinho ou com sua familia?
Moro com meu marido, o indiano Senthil, que é de Tamil Nadu, estado vizinho ao estado em que resido no momento.
- Há quanto tempo você reside nesse local?
Um ano e meio.
- Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Não, é a primeira vez que moro fora do Brasil.
- Qual sua idade?
Tenho 29 anos.
- Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Surgiu quando eu e o Senthil decidimos nos casar, ainda enquanto namorávamos online, em 2006. Ficou decidido que, pelo menos a princípio, moraríamos na Índia, mas sem deixar de considerar outras possibilidades, inclusive a de fixar residência no Brasil, isso em um período futuro.
- Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não foi difícil, não. Na primeira vez em que vim para a Índia, em janeiro de 2008, eu o fiz com visto de turista. Meses depois arrumei um emprego aqui, e vim com o visto de trabalho, em Setembro de 2008. Oficializamos a nossa união em cartório e em Outubro de 2009 eu consegui o meu cartão PIO (Person of Indian Origin), em Brasília. Conseguir o PIO foi um pouco mais difícil que conseguir o visto de trabalho. Para o visto de trabalho eu fiz uma mini-entrevista com o cônsul e pronto, estava dado. Já o PIO levou uma semana para sair. Mas como sou de Goiânia, era relativamente fácil ir até Brasília e interagir diretamente com o pessoal da Embaixada. Para maiores informações sobre os diversos tipos de visto para a Índia, clique aqui
- Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Tenho sim, sou incluída como dependente no plano de saúde do meu marido. Não foi difícil obtê-lo, pois assim que meu marido entrou na empresa, ele já me inscreveu no plano, que aqui funciona um pouco diferente do Brasil. É mais para cobertura de despesas com hospitalização. Se você precisar fazer uma consulta, tem que pagar, mas aqui é bem mais barato que no Brasil. Uma consulta com uma ginecologista, por exemplo, sai por menos de 300 rúpias (menos de quinze reais, se formos converter os valores). Agora, por exemplo, eu estou por decidir se faço ou não uma cirurgia laparoscópica, e a mesma sairá por cerca de 25 mil rúpias (cerca de mil reais), incluindo honorários de médicos e internação hospitalar, e o meu seguro pagará tudo.
- Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Trabalho sim, e consegui o emprego através de uma amiga virtual, a Carol. Ela obteve a proposta de emprego, e resolveu que não viria para a Índia pelo salário que eles estavam oferecendo. Como eu queria muito vir e adorei a idéia de trabalhar em uma empresa de software, resolvi arriscar. Chegando aqui, percebi que a demanda é alta para serviços de tradução/interpretação, e como há poucos profissionais disponíveis, os salários são relativamente altos (para os padrões indianos, é claro). Então eu percebi que tinha acertado em minha decisão de aceitar o trampo, embora eu tenha dado algumas cabeçadas, já que me contrataram por um valor bem abaixo do mercado, que foi corrigido somente após um ano de trabalho. Às pessoas que manifestam interesse em vir trabalhar na Índia, eu recomendo o site Naukri e o Monster para registro gratuito de currículos.
- Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Continuo no mesmo setor, embora em uma atividade diferente. Eu era professora de inglês em Goiânia, e me dedicava a serviços esporádicos de tradutora e intérprete. Agora sou tradutora e intérprete em tempo mais que integral, já que a minha jornada de trabalho é bem pesada. Eu trabalho em uma empresa que presta serviços de tecnologia da informação a uma grande empresa brasileira. Isso significa que temos que trabalhar em horário brasileiro, o que significa turno noturno por aqui, ou seja, é bem cansativo.
- Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Não falo a língua local e vivo em um impasse, pois eu gostaria muito de aprender hindi e tamil. Hindi porque é a língua nacional, e pelo que tenho visto, aqui em Bangalore dá pra se virar muito bem com o hindi. Já o tamil é por conta do meu esposo, que fala tal língua, e para me comunicar melhor com a família dele. Os pais dele falam o inglês, mas não é tão fluente, então eu acho que seria mais proveitoso aprender a língua deles. Só que o fator tempo pesa muito. Além de trabalhar dez horas por dia, eu tenho casa pra cuidar, procuro cozinhar e fazer ginástica e ainda não consegui um professor para me ensinar, embora todos os meus amigos se disponham a fazê-lo, mas ninguém tem tempo também. Eu percebo que eles ficam super felizes quando você insere alguma palavra do idioma deles em seu vocabulário. Isso atrai simpatia por parte deles, um esforço maior em negociar a comunicação. Até os motoristas de autoriquixá ficam mais amistosos quando você começa a soltar palavrinhas em hindi.
- O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Já é clichê dizer isso, mas a Índia é um país desafiador. Você é posta à prova a todo instante por aqui. Quando você pensa que já está familiarizada e se sentindo ‘em casa’, vem um episódio que você abomina ou considera bizarro demais e vai tudo por água a baixo. Os indianos são muito receptivos a estrangeiros, de uma forma geral. Fazem de tudo para você se sentir bem na casa deles, e fazem questão de te oferecer o melhor que eles podem oferecer. Aqui em Bangalore eu me camuflo bem, pois pelo meu tipo físico eu passo por indiana tranqüilamente. Então não atraio olhares, muito pelo contrário, rsrsrs. Quando entro em uma loja e falo em português com a minha amiga Débora, as pessoas perguntam de onde somos, e geralmente emendam ‘mas você parece indiana’. Esse ‘mas você parece indiana’ pode ser interpretado de várias formas. Eu interpreto, basicamente, como um elogio. Às vezes, pela entonação que a pessoa usa, fica no ar um certo desapontamento, do tipo ‘ah, nem tem graça você ser estrangeira e parecer indiana’.
Com relação ao relacionamento entre indianos e brasileiros: como trabalho em uma empresa que presta serviços aos brasileiros, eu vejo de tudo um pouco. Todo mês a empresa manda dois gerentes para o Brasil, para interagirem diretamente com os clientes. Alguns voltam felizes da vida, mais gordos e corados, dizendo maravilhas do Brasil. Outros voltam mais magros e aborrecidos (não digo pálidos, pois os indianos de forma geral são pálidos, já que abominam o sol e vivem comprando creme para clarear a pele), reclamando de tudo, principalmente da comida, e rezando para não terem que voltar ao país tão cedo. Uma coisa é certa: há um choque cultural intenso envolvido, principalmente porque eles vão trabalhar em um escritório em frente à praia da Barra da Tijuca no Rio, e são expostos ali à rotina brasileira de ir à praia usando trajes de banho que eles consideram muito expositivos. Alguns adoram e acham que estão no paraíso, outros abominam e rezam pra voltar logo.
Já o relacionamento dos indianos com os expatriados que estão aqui é, geralmente, bem tranqüilo. Às vezes eu ouço uma ou outra reclamação de uma pessoa que se sentiu ludibriada por algum indiano, geralmente motoristas de autoriquixá, que se aproveitam sem dó dos estrangeiros aqui e aumentam muito o valor cobrado. No meu caso, assim que eles percebem que não falo hindi ou outra língua local, eles querem automaticamente aumentar o valor. Alguns perguntam se sou anglo-indiana, para se certificarem de que tenho sangue indiano, rsrsrsrs, e assim cobram o preço normal. Mas alguns querem porque querem ter o valor aumentado, é uma coisa isso.
- Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não temos filhos, mas pretendemos adotar uma criança assim que tivermos um pouco mais de estabilidade financeira.
- Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Com certeza, o que pesa mais é a saudade da família. Como boa goiana que sou, sinto uma saudade absurda de um arroz que minha mãe fazia com óleo de pequi. Também sinto falta da variedade de pães, queijos e margarinas, principalmente de comer um pão baguete que não seja um pedaço de pau de tão duro (o pão baguete que encontro aqui é assim). Sinto muita falta de dirigir, coisa que adoro fazer, mas ainda não reuni a coragem suficiente para enfrentar o trânsito caótico aqui. Além do mais, eles dirigem do lado direito, à moda inglesa, e eu me confundo bastante com isso, até hoje. Não sei se conseguiria dirigir por aqui, sinceramente.
- O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Nas horas vagas, eu e meu marido gostamos muito de assistir filmes, em casa ou no cinema. Também gostamos muito de sair para comer fora, e o rombo em nosso bolso é considerável ao final do mês. Ultimamente, estamos tentando cozinhar mais. Tenho me divertido com essa história de cozinhar, pois ando inventando de tentar fazer alguns pratos indianos, e cada tentativa é um desastre, rsrsrs. Eu adoro jogar boliche, e sempre que posso, vou jogar com meu marido e um amigo nosso, o Ravi. As opções noturnas aqui em Bangalore são meio frustrantes. Fui a um pub uma vez apenas para nunca mais voltar. As onze e meia em ponto os policiais entram no pub e começam a enxotar a gente, a sensação foi horrível para mim, embora os indianos não liguem, pois já estão mais que acostumados a isso. Sei que há vários brasileiros residindo aqui em Bangalore, alguns inclusive fazem churrascos aos fins de semana, mas nunca participei. É um pouco complicado ir a uma festa tipicamente brasileira, em que as pessoas querem falar em português e se empanturrar de carne, sendo casada com um indiano. Tenho consciência de que ele se sentiria um pouco deslocado, então nunca fiz questão de ir a tais festas, mas sei que o pessoal é muito receptivo.
- Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Temos vários planos, rsrsrs. A nossa idéia é que meu marido tenha um pouco mais de experiência na área dele, para então tentarmos mudar para um outro país, preferencialmente o Brasil, mas isso envolve juntar uma grana, para que possamos nos sustentar até que eu arrume trabalho e por minha vez o sustente por alguns meses, para que ele se dedique a aprender o Português.
- Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Olha, a questão dos imóveis é extremamente complicada por aqui. Alugar já é um suplício, imagina comprar. Recentemente eu passei pela experiência de procurar um apartamento para alugar, e foi bem penosa. Narro a experiência nesse post aqui (no meu blog pessoal). Além de ser muito difícil encontrar um imóvel legal e em boas condições, tem o fato de que o sistema indiano de aluguel é bem peculiar: como não se tem idéia do que seja um fiador por aqui, eles exigem que você dê um depósito equivalente a dez meses de aluguel antes de se mudar para o imóvel. Por exemplo, se você for alugar um apartamento por um valor equivalente a 700 reais, você terá que dar um depósito de 7.000 reais antes de se mudar para o imóvel, e ir pagando 700 reais mensalmente, ou seja, os sete mil funcionam como um cheque calção, que eles vão te devolver depois que você sair do imóvel. E não devolvem os sete mil integralmente, não. Descontam uma quantia para fazer uma pequena reforma no imóvel. Em outras palavras, quem não é dono de imóvel por aqui sofre. Os preços dos imóveis são exorbitantes. Dependendo do local em que você deseja comprar um apartamentinho de dois quartos, com uma sacada que te dá uma linda vista para outro apartamento, você poderá desembolsar o equivalente a até 500 mil reais. Essas cifras astronômicas certamente se devem ao fato de não haver muita terra disponível aqui na Índia, já que o país é superpopuloso. Então as pessoas se viram como podem, e não é raro vermos famílias imensas se espremendo em imóveis de um quarto apenas. A classe média da Índia vive em uma situação de aperto muito maior que a do Brasil, pois eles literalmente não têm espaço.
- Qual o custo de vida?
Uma família de quatro pessoas consegue viver bem por aqui com cerca de trinta mil rúpias (uns mil e duzentos reais). O aluguel é muito caro, mas os gastos com educação e alimentação, por exemplo, são mais viáveis. Agora, se a pessoa quiser juntar uma grana, é praticamente impossível sustentar bem uma família com quatro pessoas e ainda ter fundos disponíveis. O que eu vejo acontecer muito é que eles abrem mão de tudo que consideram luxo e conforto, como ter móveis na casa, por exemplo, para juntar dinheiro. Algumas famílias consideram até produtos de limpeza como artigos de luxo, e não necessidade. Então, ao invés de comprarem tais artigos, eles economizam. Indianos têm pavor da idéia de não terem uma poupança, então eles fazem de tudo para economizar. Nem que para isso eles durmam no chão puro e comam somente arroz com coalhada todos os dias (é uma das opções mais baratas de alimentação aqui no Sul da Índia).
- Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
O melhor de morar aqui, na minha opinião, é que você exercita e muito a sua paciência e tolerância. Não há outro jeito. É tudo muito desorganizado, mas as pessoas parecem se esforçar bastante e não reclamar. Eu me sinto mais livre com relação à minha aparência física também. Como não posso usar roupas decotadas, preciso tomar muito cuidado para não engordar muito, pois com as roupas largas daqui você engorda e nem percebe. Mas é muito bom se sentir livre de certos padrões de beleza brasileiros, só que às vezes eu me vejo sucumbindo aos padrões de beleza indianos, e isso eu considero negativo.
O legal mesmo é perceber que, em qualquer lugar no mundo, nada vale mais a pena do que ser você mesma, independentemente do que tentam te impor. No Brasil, por exemplo, viviam me criticando por ser muito pálida (eu não gosto de ficar torrando sob o sol). Sempre falavam que eu parecia doente e tal. Aqui eu sinto falta justamente de tomar um sol de vez em quando, já que ninguém faz isso, e eles acham lindo ter pele pálida. Meu cabelo crespo por aqui passa mais despercebido do que no Brasil, já que lá sempre me indicavam uma escova progressiva ou algo do tipo. É muito bom ir se livrando dessas amarras, eu fui ganhando mais confiança e a auto-estima melhorou também, rsrsrs.
A cidade é lotada demais, você vê gente em todos os cantos, é incrível esse efeito da superpopulação. Se você é uma pessoa que gosta de privacidade, bom, a Índia não é o melhor lugar para se viver, pois os indianos não têm noção do que seja isso. Se metem na sua vida com a maior naturalidade, perguntam de tudo, inclusive o seu salário, sem ter a noção de que estão sendo entrões demais. Nesse ponto, o choque cultural é meio que inevitável.
- Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Olha, tem muita coisa que eu estranho, muita mesmo. Pra ficar nas mais básicas: não entendo como é que eles conseguem comer arroz com a mão, na folha de bananeira, e o arroz vem pelando de quente. É muito quente e eles não estão nem aí, metem a mão e comem mesmo, colocando curd (coalhada) no meio, misturando tudo e comendo. Outra coisa que não entendo são os sucos salgados. Meu marido tem a capacidade de estar comendo uma galinhada ultra-apimentada e pedir uma limonada salgada para acompanhar. Diz ele que é refrescante, rsrsrsrs.
Outra coisa que me deixa chocada e sem entender como é que conseguem, é o fato de que aqui a maioria das mulheres deixa as unhas dos pés crescerem. Não é raro eu deparar com uma mulher toda chique, de salto, com as unhas dos pés imensas e pintadas de vermelho. Como é que conseguem andar desse jeito? Eu, sinceramente, não sei. No início eu achava muito estranho ver bebês maquiados (eles passam kajal nos olhos da criança e enchem elas de pintinhas pretas, dizendo que é para espantar os maus-espíritos). Eu achava horroroso, mas agora o que me estranha é ver algum bebê sem maquiagem, rsrsrsrs. Já é automático, se vejo uma mulher carregando uma criança e ela está de costas pra mim, eu já fico imaginando a carinha dela toda pintada. Eu já me acostumei tanto à comida condimentada e apimentada daqui, que se não tiver tempero não tem mais graça.
- O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Bom, pelo menos na cidade em que eu vivo, o sistema de transporte é muito bom. A cidade é toda irrigada com ônibus e autoriquixás, e os ônibus têm uma freqüência muito maior que em Goiânia, por exemplo, além dos vários tipos de opções para todos os bolsos: tem ônibus simples, que custa mais barato. Tem ônibus com ar-condicionado com poltronas mais ou menos confortáveis, tudo dependo do quanto se deseja pagar. Acho que seria legal se isso fosse implementado em minha cidade no Brasil, que conta com o monopólio de duas grandes empresas de transporte público, que não se preocupam muito com os interesses e necessidades da população. Sem contar que se eles implementassem os autoriquixás ecológicos no Brasil, as cidades ficariam mais charmosas, rsrsrsrs. Os indianos se gabam muito do sistema educacional deles, mas eu não o copiaria por um simples motivo: o foco está todo no ensino técnico, e as pessoas têm uma visão de mundo bem limitada. Não sabem nada de atualidades, geografia e história passam bem longe. O foco em matemática e ciências exatas é tanto que eles acham que as únicas áreas do saber merecedoras de atenção são as que envolvem cálculos. Não gosto muito dessa abordagem. Desculpa se fugi um pouco ao assunto, mas é que eu sempre ouço muitos elogios à educação indiana e eu não vejo tanta graça nela assim.
- Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
A minha principal sugestão é: tenham paciência. Por aqui tudo é burocrático e um pouco imprevisível. Tentem se inteirar ao máximo da cultura do local antes de se aventurarem por aqui, para evitarem constrangimentos. Entendam que por aqui eles não sabem nada de cultura brasileira e são bem poucos os que se interessam em saber.
- Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Engrandecimento.
- Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
Primeiramente, gostaria de recomendar o blog de minha amiga Ju Boskie. Ela é casada com um indiano e traz várias informações culturais sobre a Índia: http://jueboskie.blogspot.com/.
Também gostaria de indicar dois blogs que falam um pouco mais do Sul da Índia, já que há uma variedade imensa de blogs com o foco todo no Norte, e pouco se fala do Sul. O primeiro é o da Gabi, uma jornalista de Brasília que tive o prazer de conhecer recentemente. Ela vive em Bangalore há alguns meses, e seu blog é simplesmente uma delícia de se ler: http://taolongetaoperto.wordpress.com/. Tem também o blog de Potira, que traz várias referências históricas e literárias, além de o blog ser visualmente muito agradável: http://potirah.blogspot.com/.
Gosto muito do blog da Cris Pillai, por ser leve, divertido e bem informativo: http://www.meninamaisquefeliz.blogspot.com/.
E tem o meu blog, que não é um informativo sobre a Índia, mas traz as minhas experiências pessoais por aqui: http://ideiasdeiolanda.blogspot.com/

Publicado em 5 de Junho de 2010 em Entrevistando Expatriados
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"A Canção de Mahamudra" por Osho

A Canção continua:


Se alguém nada vê quando contempla o espaço,
se com a mente alguém observa a mente,
esse alguém destrói distinções
e alcança o estado de Buda.


As nuvens que vagueiam pelo céu
não tem raízes, nem lar
também assim são os pensamentos distintivos
vagando através da mente.
Desde que a mente-eu é vista,
cessa a discriminação.


Formas e cores formam-se no espaço,
mas o espaço não é tingido nem pelo branco, nem pelo preto.
Da mente-eu todas as coisas emergem,
e a mente não é manchada nem por virtude, nem por vícios.


In: OSHO. Tantra: A Suprema Compreensão. São Paulo: Cultrix, 1992.

Palestras de Osho sobre A Canção de Mahamudra de Tilopa, compiladas pelo Swami Amrit Pathik e organizado em forma de livro por Ma Yoga Anurag.

Título Original: Tantra: The Supreme Understanding.
 © Osho International Fundation, 1975.



Sobre Osho:

"Osho nasceu em Kuchwada, Madhya Pradesh, na Índia, em 11 de dezembro de 1931. Desde a primeira infância, foi um espírito rebelde e independente, que insistia em descobrir a verdade por si mesmo em vez de obter conhecimentos e crenças dados por outros.
Depois de sua iluminação, quando tinha 21 anos, Osho completou seus estudos acadêmicos e passou vários anos lecionando filosofia na Universidade de Jabalpur. Neste interím, viajou pela Índia dando palestras, desafiando líderes das religiões ortodoxas em debate público, questionando as crenças tradicionais e entrando em contato com pessoas de todos os meios sociais. Lia muito, lia tudo o que ampliasse sua compreensão dos sistemas de crença e da psicologia do homem moderno.
No final dos anos 60, Osho havia começado a desenvolver suas Técnicas de Meditação Dinâmica, únicas no mundo. O homem moderno, diz ele, está tão sobrecarregado de tradições desatualizadas do passado e de ansiedades na vida moderna, que precisa passar por um processo de limpeza profunda antes de poder esperar descobrir o estado relaxado, vazio de pensamentos, da meditação.
[...]
Ele não pertence a nenhuma tradição - "Estou dando início a uma consciência religiosa totalmente nova", diz ele. "Por favor, não me liguem ao passado, pois não vale a pena lembrar-se dele."
[...]
Osho morreu no dia 19 de janeiro de 1990.[...]" (OSHO, 1992, pág.245-246)

Mais informações em www.osho.org

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sábado, 19 de junho de 2010

Conexão Índia por Arthur Veríssimo


Confira abaixo os vídeos dos oito episódios do Conexão Índia do jornalista Arthur Veríssimo que foram ao ar de 24 de maio a 02 de junho no programa Manhã Maior na RedeTV.
Para ver um pouco mais, recomendo o DVD duplo Índia Exótica que apresenta um pouco do trabalho do jornalista em 15 viagens para a Índia, a primeira delas em 1994. Logo após a morte de sua mãe, que era professora de Yoga, Veríssimo teve um sonho em que a mãe lhe dizia para vender o apartamento que possuíam e ir conhecer a Índia...


Episódio n° 1


Episódio n° 2


Episódio n° 3


Episódio n° 4

Episódio n° 5

Episódio n° 6


Episódio n° 7

Episódio final

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Seria uma espécie de democratização do Kama Sutra?





Estava eu caminhando pela rua quando dei de cara com o seguinte livro na vitrine de uma livraria...


Kama Sutra para mulheres de Vinod Verma, Editora Nova Era.

Lembrei que em fevereiro vi reproduções das ilustrações deste livro num fascículo dominical de  jornal, numa matéria sobre saúde e vida sexual. Desde lá fiquei pensando no assunto, espero em breve adquirir o livro e fazer uma resenha (da parte literária e ilustrações) aqui no blog.

Numa rápida busca pela internet é assombroso o número de livros com a expressão Kama Sutra... Havia "Kama Sutra para gays", "Kama Sutra para lésbicas", além de diferentes edições para o clássico Kama Sutra de Vatsyayana. É uma verdadeira democratização do Kama Sutra para os mais variados públicos ou uma estratégia de marketing das editoras para vender mais livros?

Parece que qualquer livro que tenha a palavra Kama Sutra na capa e que contenha alguma ilustração "sugestiva" pode vir a se tornar sucesso de vendas. Me admiro como ainda não tenham lançado "Kama Sutra para os idosos", "ABC do Kama Sutra", "Kama Sutra para crianças", "Conheça o Kama Sutra e desvende a si mesmo" ou "Uma viagem na terra do Kama Sutra"... 

Ah, se algum destes últimos títulos sugeridos já tenham sido publicados, que os editores me desculpem a ironia.
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Mantra by Nando Reis

Essa vai pro João do Pé de Feijão que também gosta deste som...

Mantra

Nando Reis (Composição: Nando Reis / Arnaldo Antunes)

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração
Acordará!...

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência
Adormecerá!...

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar
No mesmo quintal
Da alma ao corpo material...

Hare Krishna Hare Krishna / Krishna Krishna / Hare Hare / Hare Rama / Hare Rama / Rama Rama / Hare Hare

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for
Livre do temor...

Hare Krishna Hare Krishna / Krishna Krishna /Hare Hare / Hare Rama / Hare Rama / Rama Rama /Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
Para dar amor...

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão
Da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão
Do tempo espiral...
Amor dará e receberá
Do braço, mão
Da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte
O seu dia natal...

Aaadeeeus Dooooor...(4x)

Hare Krishna Hare Krishna / Krishna Krishna / Hare Hare / Hare Rama / Hare Rama / Rama Rama / Hare Hare (6x)

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Shiva-Sutra: Realidade e Realização Supremas

“As pessoas que se acham completamente absorvidas pelas atrações e ambições da vida mundana não podem perceber esses fatos óbvios e passam por eles sem ao menos notarem a sua existência. Estas pessoas, às vezes, zombam dos que lhes apontam tais fatos e a necessidade de a eles se sobreporem, libertando-se das limitações e enganos que os caracterizam e dos conseqüentes sofrimentos que padecem desnecessariamente. Elas pensam que são realistas e chamam de visionários, que desperdiçam o tempo na futilidade do pensamento filosófico, vivendo num mundo de faz de conta, os que, pelo menos parcialmente, estão conscientes das ilusões e delas tentam libertar-se.” (TAIMNI, 1982, pág. 89-90)


TAIMNI, I.K. Shiva-Sutra. Realidade e Realização Supremas. Rio de Janeiro: Grupo Annie Besant, 1982.

Título original: The Ultimate Reality and Realization
The Theosophical Publishing House, Adyar, India, 1976.
Tradução de Maria Luiza Lavrador.

O livro apresenta uma série de aforismos sânscritos e comentários acerca destes, acompanhados pelas definições das palavras sânscritas específicas para os estudiosos das Ciências Ocultas.

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terça-feira, 15 de junho de 2010

As muitas Índias...

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Termos Sânscritos em "O Caminho do Discipulado" de Annie Besant

BESANT, Annie. O caminho do discipulado. São Paulo: Editora Pensamento, s/d.


Título Original: The path of Discipleship

Edição orignal de The Theosophical Publishing House, Adyar, Madras, Índia.


Este livro é a publicação de uma série de conferências públicas proferidas por Annie Besant na Índia. Utiliza diversos termos sânscritos que nem sempre econtram um correspondente para serem traduzidos para o português, por isso o livro traz um breve glossário que irei reproduzir logo abaixo.


Glossário de Termos Sânscritos usados no Texto

Akasha. O principal dos cinco ou sete Tattvas; o éter, causa psíquica e espiritual do som. Nos arquivos akásicos ficam permanentemente gravados todos os sons, acontecimentos e palavras que proferimos.

Arhat. "Digno"; é aquele que atingiu a quarta iniciação e se tornou um adepto. Pode ver o Nirvana durante a vida.

Avatar. Uma encarnação Divina.

Chela. "Criança". Discípulo de um guru ou sábio; prosélito de algum adepto de escola de filosofia. No Oriente também se chama chela ao discípulo aceito para o estudo de Ocultismo.

Dharma. Lei, dever, religião; é o dever e o seu cumprimento.

Gunas. São as três qualidades da matéria, os três modos de manifestação cósmica: Rajas, a energia, a atividade, a força centrífuga; Tamas, a inércia, a resistência, a obscuridade, a força centrípeta; Sattva, o ritmo ou equilíbrio que há de resultar de ambas as anteriores, isto é, a verdade, a pureza, a luz.

Hamsa. "Cisne", o pássaro branco, símbolo da sabedoria e da iniciação. Segundo a tradição, tinha o poder de separar a água e o leite misturados, e daí representar a virtude ou faculdade do Discernimento espiritual. No Hinduísmo chama-se Hamsa àquele que atingiu a terceira grande iniciação.

Jivanmukta. "O liberto ou emancipado em vida". Um adepto ou iogue que chegou ao último estado de santidade e se libertou da escravidão da matéria.

Karana Sharira. O corpo causal que, por ser permanente, passa de uma encarnação para a outra.

Linga Sharira. É o duplo etérico, que faz parte integrante do corpo físico.

Paramahama. Aquele que está além de Hamsa.

Sannyasi. O asceta que renunciou a todos os atrativos da vida terrestre.

Siddhis. "Atributos de perfeição", poderes ocultos que, graças à sua santidade, adquirem os iogues.

Titiksha. Longa e inalterável paciência; resignação, renúncia.

Tattva. "Aquilo" eternamente existente, e também os diferentes princípios da Natureza, em seu significado oculto. Dá se também o nome de Tattva aos abstratos princípios de existência, ou categorias, físicas e metafísicas, que são correlativos aos sentidos externos e internos do homem.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Literatura Indiana: um pouco de história...

LITERATURA INDIANA

Confinada entre o Himalaia e o Oceano Índico, a Índia desenvolveu-se culturalmente isolada. Seus primeiros temas de contos alcançam, no entanto, o Ocidente já em Heródoto e Ctésias, embora seja difícil reconhecer a realidade imersa que se apresenta num conjunto de fantasias. Outros temas e contos indianos são conhecidos e os Upanichades pelos neoplatônicos de Bizâncio, mas, apenas no século XIX ocorre a descoberta real da imensa e importante literatura sânscrita.

Para sua apreensão pelo Ocidente duas dificuldades apresentam-se: a deformação dos textos por tratamentos com total ausência de senso estético ou pelas incríveis fantasias de meios espiritualistas heterodoxos e até por missões de certos gurus... Pouco é o conhecimento direto que temos do domínio indiano e raros também os trabalhos históricos e sociológicos (embora seja de se destacar Max Weber) ou os empreendidos pelos racionalistas, como Keyserling, Romain Rolland, René Guénon e Spengler.

A literatura do longínquo passado é por excelência religiosa e sem delimitações entre as disciplinas. Esta literatura sagrada compreende o Rig-Veda, escrito em sânscrito arcaico e que data aproximadamente do século XX a.C., os Vedas, os Brâmanes e os Upanichades. Apenas no século XIX da atual era são os textos fixados em escrita. No entanto, os brâmanes ortodoxos julgam a escrita indigna para fixar a santidade dos textos e, ainda hoje, é a transmissão oral que predomina na maioria dos centros de ensino superior indianos.

A unificação relativa do pensamento védico é produto da confluência de dois tipos diversos de pensamento religioso: o budismo e o jainismo, respectivamente derivador dos ensinamentos de dois poetas do século VI a.C., Buda e Mahavira. Nesta mesma época de imensas transformações culturais temas védicos servem para a elaboração das duas grandes epopéias indianas: o Maabarata e o Ramaiana. Exprimem mitos e valôres retirados da vida dos povos e elevados à dignidade sacra. O Maabarata apresenta um tema central de narração épica a respeito das lutas ocorridas entre duas famílias nobres e um notável enriquecimento com a apresentação de subtemas que, às vezes, quase atingem autonomia e hinos de caráter metafísico-moral. O Ramaiana, compilado por Valmique, narra as aventuras de um herói, Rama, que alcança o nível de divindade implacável quanto aos homens lançados em constantes hostilidades. Reelaborações menos grandiosas mas ainda importantes são os Puranas e os Tantras.

Embora uma literatura exclusivamente laica não tenha existido na Índia, podemos observar uma realidade lírica na qual o religioso não assume primeiros planos. Calidasa (século IV) escreveu numerosas peças de teatro, o Ritusamara - descrição das seis antigas estações do ano - e o Raguvança, no qual figura um resumo do Ramaiana.

Importante ciclo de contos e fábulas com versões hinduístas, budistas e jainistas numerosas é redigido em sânscrito sob o título de Pancatantra e fornece imensa fonte de inspiração temática às literaturas ocidentais, sendo autores que a ela recorreram, entre outros, Renart, La Fontaine, Anderson, Grimm e Goethe.

Outra importante tradição indu é constituída pelos ciclos de contos cujo procedimento de construção é a inclusão encadeada de episódios, tal como ocorre em "As Mil e Uma Noites". São exemplos o Brihat-Cathá e o Daçakumâracarita, atribuído a Dandin. Êste último romance clássico apresenta dez diferentes agrupamentos de aventuras e, embora com predominância do sentido moral, acumula o picaresco, o erótico e o burlesco.

Observamos agora que esta literatura, apresentada apenas em suas linhas mais gerais, não ultrapassa o domínio sânscrito, védico e clássico: é a imensa a variedade de línguas faladas na Índia e muitas apresentam rico patrimônio literário. Os dravídicos autóctones destacam-se pela literatura de quatro línguas diferentes dentre as catorze existentes. Apresentam também literatura algumas das atuais vinte e sete faladas em solo indiano, tais como o bengali, o marata, o penjabi e o assamês. A própria língua inglêsa, que assumiu a posição de língua de relações gerais, apresenta autores da importância de um Tagore ou de Kamala Markandaya. As literaturas dravídicas apresentam vários séculos de expressão literária de inestimável importância e valor, mas, inacessíveis pela deficiência de traduções.

A mais importante língua moderna da Índia é o hindi, falado com numerosas variantes dialetais por 125 milhões de indus. Sua literatura, com tradição de treze séculos, apresenta como autores importantes Kabir (1440-1518), hinduísta extremamente influenciado pelo islamismo, e Nanak (1469-1538).

Falado por 55 milhões de hindus, o bengali apresenta riqueza literária superior a qualquer outro grupo linguístico indiano. O texto bengali de primeira importância é Cariapadas, que data do século X e reúne cantos místicos. O século XIX presencia a elevação do bengali ao nível literário nacional e como expressão do amálgama de influências tradicionais e ocidentais em grandes apresentações sincretistas. Rammohan Rây (1772-1833) exerceu imensa influência nesta fundação de literatura nacional e, logo, inúmeras eram as traduções de autores estrangeiros. Michael Madhusudan Datta (1824-1873) adaptou o Ramaiana a uma visão cristã ao escrever Meganada-Vada. Rabindranath Tagore (Rabindranâth Thâkur - 1861-1941), autor de "A Religião do Homem", "A Carta ao Rei", "Gora", e "A Máquina", alcançou repercussão mundial e foi detentor de um prêmio Nobel.

RAMOS-DE-OLIVEIRA, Newton; KOPKE, Carlos Burlamaqui; BONINI, Marylene. História da literatura mundialSão Paulo: Fulgor, 1968. vol. 7. Pág. 19-21.


*Da bibliografia de orientação:

Renou L. - Les littératures de l'Inde - Paris, Presses Universitaires de France, 1951.
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