terça-feira, 31 de agosto de 2010

Children, Pushkar

Photograph by Annette Thompson, My Shot

Dressed as the Hindu deity Shiva and his consort, Parvati, children beg for money from tourists in Pushkar.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

... como uma lua na água.

O capítulo mais doce que já foi escrito sobre o amor na literatura,  o Capítulo 7 do Jogo da Amarelinha. 


7

   Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto,  uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.                                                                                     
   Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.

(CORTÁZAR, Julio. O Jogo da Amarelinha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.)
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

"colhe-a enquanto é tempo..."

6


Colhe e leva essa pequena flor, não demores! Receio muito que ela se incline e desfaleça na poeira.
Talvez ela não encontre lugar na tua grinalda; honra-a, porém, com um toque dolorido da tua mão e colhe-a. Receio muito que o dia termine antes que eu o perceba, e que passe a hora da oferenda.
Embora, não seja intensa a tua cor e seja débil o teu perfume, serve-te assim mesmo desta flor e colhe-a enquanto é tempo.


(TAGORE, Rabindranath. Gitanjali. São Paulo: Martin Claret, 2006.)
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sábado, 14 de agosto de 2010

O mofo da parede...

"[...] Uma pessoa que passa trinta anos no mesmo emprego torna-se como o mofo da parede - todos anseiam por vê-la desaparecer com a luz de um novo dia."


GHOSH, Amitav. Maré Voraz. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, pág. 159.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O pequeno Lord Krishna

Menino vestido como um pequeno Lord Krishna em Kolkata...


Obrigada Ana... 
=)
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domingo, 8 de agosto de 2010

Cecília Meireles - Poemas Escritos na Índia "Multidão"

MULTIDÃO

Mais que as ondas do largo oceano
e que as nuvens nos altos ventos,
corre a multidão.

Mais que o fogo em floresta seca,
luminosos, flutuantes, desfrisados vestidos
resvalam sucessivos,
entre as pregas, os laços, as pontas soltas
dos embaralhados turbantes.

Aonde vão esses passos pressurosos, Bhai?
A que encontro? a que chamado?
em que lugar? por que motivo?

Bhai, nós, que parecemos parados,
por acaso estaremos também,
sem o sentirmos,
correndo, correndo assim, Bhai, para tão longe,
sem querermos, sem sabermos para onde,
como água, nuvem, fogo?

Bhai, quem nos espera, quem nos receberá,
quem tem pena de nós,
cegos, absurdos, erráticos,
e desabarmos pelas muralhas do tempo?
(Cecília Meireles)

MEIRELES, Cecília. Poesias Completas - Volume III. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1973.
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sábado, 7 de agosto de 2010

Lila por Jean-Claude Carrière

LILA


   "Este mundo é um jogo.
   Muitas vezes, pode-se duvidar disso, vendo a violência de que somos capazes, a injustiça, a brutalidade, as duríssimas condições em que vivem milhões de pessoas. Sem falar dos milhões de animais que são mortos e devorados todos os dias.
   É que se trata de um jogo exclusivo dos deuses. O mundo é uma diversão dos deuses e isto se chama Lila. Estamos aqui, com todos os elementos que compõe o universo, para divertir os seres supremos. O mundo é um brinquedo deles.
   Podemos, evidentemente, rejeitar esta concepção, que nos reduz à condição de peças de um jogo, e que parece querer imprimir a marca da inutilidade em toda tentativa de resistência e de revolta de nossa parte. É  o meu caso: não creio nos deuses, portanto não posso acreditar que eles se divertem à nossa custa. No entanto, esta chave - uma entre outras que às vezes a contradizem - pode, em certos momentos, ajudar a abrir nossos contatos com a Índia. Pode nos ajudar a compreender, ou a admitir, o que sem ela nos pareceria absurdo e inaceitável.
   Vamos guardá-la sempre em volta de nosso pescoço. tudo isso é apenas um jogo. Acreditamos viver por nós mesmos, mas não passamos de marionetes nas mãos do além. Melhor dizendo: este jogo é um sinal, mais um, de que vivemos numa ilusão. Aliás, a Lila é inseparável da Maya, a rede suprema das aparências, que dissimula o jogo divino aos nossos olhos. Quando estão unidas, elas passam a ser Lilamaya, que é a arma de Krishna, este jogo de sedução em que ele nos enreda. Para o nosso bem? Não é impossível. Alguns pensadores esperam que, se Krishna, que é a divindade, nos alicia nesse jogo de aparências, seja para nos levar à mokhsa, à libertação.
   Seria, portanto, um jogo para escapar do jogo. Um jogo duplo, em que a vertigem pode rapidamente dominar os jogadores, sobretudo porque ninguém parece conhecer as regras. Afinal de contas, elas talvez nem existam. Impossível? É verdade que não podemos imaginar um jogo sem regras, mas não somos deuses."

(CARRIÈRE, Jean Claude. Índia: um olhar amoroso. São Paulo: Ediouro, 2009. Pág. 241-242)
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"Sleep on the left side" Cornershop

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Todos os azuis de Amristar...

Quantos azuis você consegue ver nesta imagem além do óbvio turbante?
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Índia fora da Índia: Bali, Indonésia.


“Bali é uma pequena ilha localizada no centro do arquipélago indonésio, que tem 3.200 quilômetros de comprimento e constitui a nação muçulmana mais populosa da Terra. Bali é, portanto, algo estranho e maravilhoso; não deveria sequer existir, mas existe. O hinduísmo da ilha foi importado da Índia via Java. Comerciantes indianos levaram a religião para o leste durante o século IV d.C. Os reis javaneses fundaram uma poderosa dinastia hinduísta, da qual pouco resta hoje em dia a não ser pelas impressionantes ruínas dos templos de Borobudur. No século XVI, uma violenta rebelião islâmica varreu a região, e a realeza hinduísta adoradora de Shiva fugiu de Java, partindo em grandes grupos para ir se refugiar em Bali durante o que seria lembrado como o Êxodo de Majapahit. Os javaneses abastados, de alta casta, trouxeram consigo para Bali apenas suas famílias reais, seus artesãos e seus sacerdotes – portanto não é um exagero quando se diz que todo mundo em Bali é descendente de rei, sacerdote ou artista, e que é por isso que os balineses são tão orgulhosos e inteligentes.
Os colonos javaneses também trouxeram para Bali o sistema hinduísta de castas, embora as divisões de casta nunca tenham sido aplicadas aqui com tanta brutalidade quanto um dia o foram na Índia. Mesmo assim, os balineses respeitam uma complexa hierarquia social (existem cinco divisões só de brâmanes), e eu pessoalmente teria mais chances de decodificar o genoma humano do que de tentar entender o complicado e emaranhado sistema de clãs que ainda vigora aqui. (Os muito bons ensaios escritos por Fred B. Eiseman sobre a cultura balinesa vão muito mais a fundo nos detalhes que explicam estas sutilezas, e foi de sua pesquisa que tirei a maior parte de minhas informações genéricas, não apenas aqui, mas ao longo de todo este livro.) Basta dizer que, para os nossos padrões, todo mundo em Bali pertence a um clã, todo mundo sabe a que clã pertence, e todo mundo sabe a que clã pertencem todos os outros. [...]”

*Foto
GILBERT, Elizabeth. Comer, rezar, amar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, pág 233 e 234.
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domingo, 1 de agosto de 2010

.: Ganesha Baba, morya! :.

Adoro uma loja de decoração indiana...

Começando o mês de agosto dedicando um espaço para Ganesha... Já que no calendário hindu, os meses de agosto e setembro são dedicados a Ganesh Chaturti...
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