sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Índia me persegue...

Uma surpresa ao ler Ficções de Jorge Luis Borges

"(...) A história começada em Bombaim segue nas terras baixas de Palanpur, demora-se uma tarde e uma noite à porta de pedra de Bikanir, narra a morte de um astrólogo cego numa cloaca de Benares, conspira no palácio multiforme de Katmandu, reza e fornica no fedor pestilencial de Calcutá, no Machua Bazar, contempla nascer os dias no mar desde um cartório de Madras, vê morrer as tardes no mar de uma sacada no Estado de Travancor, vacila e mata em Indapur e conclui sua órbita de léguas e de anos na mesma Bombaim, a poucos passos do jardim dos cães côr de lua. (...)"

BORGES, Jorge Luis. A aproximação a Almotásim. In: Ficções. Porto Alegre: Editora Globo: 1972. pág. 41-42.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Histórias da Índia - As ilustrações de Maurício Negro


Por Maurício Negro no blog Feijão Preto


Um marajá, príncipe na Índia antiga, posa a frente do barbeiro. À direita, uma princesa e um macaco que acaba de dar um sumiço em seu pretendente: um faquir trapaceiro. Eunice de Souza nasceu em Pune, Índia. Doutoranda pela Universidade de Bombaim, mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Marquette (E.U.A.), ex-professora do St. Xavier's College. Poeta, romancista e autora de diversas obras para crianças. Neste livro, pela Edições SM, a autora reconta dez histórias. Divertidas, fantásticas, sagazes, fabulosas, foram recolhidas de várias regiões da Índia e do Panchatantra, a mais antiga coleção de histórias conhecidas. Cada porção de seu país tem suas singularidades, conforme a cultura e tradição local. Antes de começar a pensar e rabiscar, reuni informações sobre arte e cultura indianas. Agradeço, em particular, a colaboração imprescindível de três queridos amigos.


Uma ilustração feita sob medida para a primeira página do livro, mais conhecida como rosto ou frontispício. Ajna, ou o sexto chakra, fica bem entre as sobrancelhas e está ligado à intuição e à percepção sutil. Quando bem desenvolvido, indica um sensitivo de alto grau.




O deus Shankara, mais conhecido como Shiva, é ludibriado por um garoto cego e pobre da classe dos mercadores. A imagem foi feita para uma narrativa do estado de Gujarate, onde fica o templo de Somnath, dedicado ao deus Soma, que corresponde à Lua.




Uma simulação de um painel de madeira tradicional dos artesãos nagas, povo do atual território montanhoso de Nagaland, nordeste da Índia. Para ilustrar o dia em que o Sol se recusou a brilhar. Os nagas eram conhecidos como guerreiros habilidosos, dotados de poderes mágicos. Muitas vezes associados aos míticos homens-serpentes que teriam povoado o mundo subterrâneo, no princípio dos tempos.



SOUZA, Eunice de. Histórias da ÍndiaSão Paulo: Edições SM, 2009.

(A indiana Eunice de Souza, doutora pela Universidade de Bombaim publicou outros livros para crianças, além de romances e poesias. Este Histórias da Índia possui dezenas de outras ilustrações interessantes do designer Maurício Negro e belas histórias para contar além da surpresa final "Cantos da Índia" que poderão um dia aparecerem aqui pelo blog...)
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Goesas janelas...





Estas belas janelas vieram d'A vida numa Goa do Evandro.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Janelas da Índia


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domingo, 11 de setembro de 2011

O outro lado do mundo: Índia no Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Ultimamente foram apontadas diversas críticas à obra de Monteiro Lobato quanto aos negros e a questão do racismo. Mas alguém já pensou sobre como o autor trata a cultura indiana em Histórias do Mundo para Crianças? O livro publicado em 1933 pretende abordar a história do mundo através de uma linguagem simples, para as crianças. 
Algum estudioso da obra de Lobato poderia verificar se há alguma relação entre a publicação do Histórias do Mundo para crianças  e as traduções que o autor fez para a coleção História da Civilização  de Will Durant, pela Cia Editora Nacional.
Leia o diálogo de Dona Benta com as crianças do Sítio do Pica-Pau Amarelo e tire suas próprias conclusões:

"(...) Do outro lado, a sul e leste da Ásia, viviam povos muito importantes, como os indianos, os chineses, os japoneses. Vinte séculos antes de Ciro, um ramo da família ariana havia emigrado da Pérsia para a Índia, onde dera origem a um povo numeroso. Esse povo foi se desenvolvendo a seu modo e acabou dividido em classes. Com o correr do tempo essas classes viraram castas, impedidas de ter qualquer espécie de ligação entre si. Um homem duma casta não podia casar-se com mulher de outra. Criança duma casta não podia nem brincar com criança de outra. Se uma criatura estivesse tinindo de fome, tinha que morrer antes de aceitar comida das mãos duma de outra casta. Nem esbarrar nela podia. Separação absoluta, como se fossem leprosos.
-Que horror! - exclamou . - Parece incrível tanta burrice e maldade na vida dos homens.
- Assim é, minha filha, e nenhuma burrice tão dolorosa como esta distinção de castas que até hoje faz a desgraça da Índia. Entre as castas indianas, a mais alta de todas era a dos Guerreiros e Governadores, que quase se confundiam, porque para ser governo [sic] era preciso ser guerreiro. Depois vinha a casta dos brâmanes, com funções muito semelhantes às dos sacerdotes egípcios; eles eram o que hoje chamamos homens profissionais - médicos, advogados, engenheiros, etc. Depois vinham os agricultores e comerciantes - os padeiros, os vendeiros, os fruteiros. Depois vinha a gente baixa - isto é, gente ignorante que só sabe fazer serviços brutos - carregar coisas, cortar paus, capinar o chão. E por último vinha a casta dos Párias desprezada por todas as outras. Pária quer dizer gente na qual não se pode tocar nem a ponta do dedo - por isso são também chamados os Intocáveis.
- E parece que até hoje é assim, não, vovó? - observou Pedrinho.
- Até hoje é assim, meu filho, por mais que os ingleses dominadores da Índia tudo façam para mudar a situação. Anda lá agora um grande indiano querendo destruir o terrível preconceito de casta.
-Gândi - adiantou Pedrinho - que lia os jornais diariamente. - O Maatma Gândi...
- Ele mesmo. Mas sua luta vai ser enorme, porque o preconceito de casta é velhíssimo e as coisas muito velhas adquirem cerne, tal qual as árvores.
- Mas os indianos acreditavam num deus chamado Brama; daí a sua religião ser chamada Bramanismo. Segundo o bramanismo, quando uma pessoa morre a alma passa a habitar o corpo de outra pessoa ou dum animal; se a pessoa foi boa em vida, sua alma recebe promoção indo para o corpo de uma criatura de casta superior; se foi má, é rebaixada - vai até para os corpos dos bichos comedores de carniça, como o crocodilo ou o urubu.
Os mortos não eram enterrados e sim queimados. Se o defunto fosse homem casado, também queimava a viúva. As coitadas não tinham o direito de continuar vivas depois da morte do marido...
- Que desaforo! - exclamou Narizinho indignada. - Quer dizer que mulher nesse país não era gente - não passava de lenha...
- Por muito tempo foi assim, mas se era a mulher que morria, o viúvo, muito lampeiramente, ia arranjando outra...
- Por que em toda parte essa desigualdade das leis e costumes, vovó? Por que tudo para o homem e nada para a mulher?
- Por uma razão muito simples. Porque os homens, como mais fortes, foram os fabricantes das leis e dos costumes - e sempre trataram de puxar a brasa para a sua sardinha. Mas voltemos à Índia. Os templos bramânicos abrigavam uns ídolos verdadeiramente horrendos de feiúra. Deuses de diversas cabeças, deuses com seis e oito braços e outras tantas pernas; deuses com tromba de elefante; deuses com chifre de búfalo.
- Mas a senhora disse que eles só tinham um deus, vovó...
- Um deus supremo. Os outros eram deuses menores - espécie de santos. Povo nenhum se contenta com um deus só. São precisos vários, mesmo para os que seguem as religiões chamadas monoteístas.
- Mono, um; theos, deus, Religião monoteísta quer dizer religião dum deus só - berrou, com espanto de todos, Pedrinho, que por acaso havia lido aquilo um dia antes.
- Perfeitamente! - aprovou Dona Benta. - Você às vezes até parece um dicionário...
- Dê-lhe chá de hortelã bem forte que ele sara, Dona Benta. Isso são bichas - gritou lá do seu canto a pestinha da Emília.
Ninguém achou graça e Dona Benta continuou:
- Lá pelo ano de 500 A.C. nasceu na Índia um príncipe de nome Gautama, que se revoltou contra o que via em redor de si - tanta miséria e sofrimento por causa de idéias erradas. E apesar de nascido na grandeza, tudo abandonou para trabalhar pela melhoria do pobre povo, começando a pregar por toda parte os seus princípios. Ensinava o homem a ser bom, a ser honesto, a ajudar os infortunados. Tão altas eram as idéias desse príncipe, que o povo entrou a chamar-lhe Buda, que quer dizer Sábio, e por fim o adorou.
Uma nova religião nasceu daí. Muitos que seguiam o bramanismo abandonaram os horrendos ídolos desse culto para se tornarem budistas."

LOBATO, Monteiro. O outro lado do mundo In: Histórias do Mundo para Crianças. São Paulo: Brasiliense, 2004. (Pág.41-43)
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mil fragmentos somos... "Biografia" de Cecília Meireles

BIOGRAFIA

Escreverás meu nome com todas as letras,
com todas as datas,
— e não serei eu.

Repetirás o que me ouviste,
o que leste de mim, e mostrarás meu retrato,
— e nada disso serei eu

Dirás coisas imaginárias,
invenções sutis, engenhosas teorias,
— e continuarei ausente,

Somos uma difícil unidade,
de muitos instantes mínimos,
— isso serei eu,

Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente,
— Como me poderão encontrar?

Novos e antigos todos os dias,
transparentes e opacos, segundo o giro da luz,
nós mesmos nos procuramos.

E por entre as circunstâncias fluímos,
leves e livres corno a cascata pelas pedras.
— Que mortal nos poderia prender?
©Cecília Meireles
In Poemas II, 1994

*Na foto meu fragmento por Geison Aquino.
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domingo, 4 de setembro de 2011

The Man Who Would be King - Rudyard Kipling

Nas últimas semanas li diversos artigos e capítulos sobre o anglo-indiano Rudyard Kipling enquanto finalizava as leituras de alguns dos seus livros mais importantes para um estudo de literatura inglesa. 
O jornalista, poeta e escritor de contos e romances, foi o primeiro escritor de língua inglesa a receber o Prêmio Nobel em 1907. Nascido em Bombaim em 1865, filho de ingleses no Império Britânico é mais conhecido pelas aventuras do menino-lobo Mogli em O Livro da Selva (1895). 

A professora me emprestou o filme "The Man Who Would Be King" (1975) uma co-produção anglo-americana, dirigida por John Huston e  baseada na obra homônima de Rudyard Kipling. É uma história interessante sobre as aventuras de dois gananciosos ex-soldados do British Raj em direção ao Cafiristão onde pretendiam tornar-se reis. Suas estratégias militares agrupam os povos da região e um deles é confundido com uma divindade "Sikander" espécie de avatar de Alexandre, o Grande. Herda uma riqueza incalculável mas tem um final trágico. O sobrevivente é quem narra suas aventuras para Kipling na redação do jornal, onde ele havia conhecido-os antes de partirem para a viagem.

Em breve a livraria trará o meu "The Man Who Would Be King" em edição bilíngue. Enquanto espero, li o Histórias Sobrenaturais de Rudyard Kipling, do qual sugiro a leitura dos contos "O Jinriquixá Fantasma", "A Estranha Vigem de Morrowbie Jukes" (que eu li para o namorado numa noite de ventania e nos causou assombro), "O Signo da Besta", "A Mais Bela História do Mundo" e "Eles".


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sábado, 3 de setembro de 2011

Elephants...

Um elefante incomoda muita gente.

Dois elefantes incomodam, incomodam muito mais.

Três elefantes incomodam, incomodam, incomodam muita gente...


Eu amo elefantes! Eu sei, você sabe disso... Todos sabem que gosto de esculturas e imagens de elefantes. Mas eu não canso de dizer... =D

O último presente que o namorado me deu foi esta escultura de elefante feita de madeira. Já a a minha sogra encomendou para a avó que é super talentosa e elas me deram esta linda base de apoio para usar com meu computador laptop. Tem um elefante fofo na parte de cima e a parte de baixo é uma almofada em tecido combinando com a estampa do elefante.
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Arunachala is within and not without.
The Self is Arunachala.

The mystery of the Hill
is the mystery of the Self.

SRI RAMANA MAHARSHI


O belo projeto fotográfico de Ditmar Bollaert retrata em branco e preto o caminho da montanha sagrada em Thiruvannamalai no estado de Tamil Nadu. Ao redor da montanha ergueram-se ashrams e no topo há um templo em homenagem ao deus Shiva. É um importante ponto de peregrinação conhecido também por outros nomes. Em sua encosta há cavernas que serviram de moradia para homens santos como Sri Ramana Maharshi. As imagens do fotógrafo nos mostram um pouco do cotidiano das pessoas que moram nos arredores do monte, mercados, meios de transporte, vestimentas, arquitetura e também a paisagem desta região no sul da Índia. 


BOLLAERT, Ditmar. Arunachala Pradakshina. Belgium: Arp Editions, 2000.
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